Unidade básica de saúde em Jardim São Paulo não oferece nem o básico

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por: Rafael Eduardo | Fotos: Osvaldo Morais e Geraldo Barbosa

Enquanto esperam pela conclusão das obras da Unidade Básica de Saúde (UBS) Fernandes Figueira, na Praça de Jardim São Paulo, os moradores do bairro encontram dificuldades para acessar serviços de saúde na localidade. Iniciada em 2013, a obra de reforma da unidade está parada há pelo menos três anos.

O prazo para a entrega da unidade, na época do início, era de sete meses, mas segundo a Prefeitura do Recife, a empresa responsável abandonou o projeto, e a paralisação se arrasta até hoje.

Com essa parada, em princípio, o público que frequentava o centro de saúde da Praça de Jardim São Paulo teve que se deslocar para o posto da Ceasa.

“Era um sufoco para ser atendido. Também tinha o problema da dificuldade de deslocamento”, relata Verônica Amâncio.Usuária dos serviço, ela foi uma das que lutou para trazer um centro de saúde para o bairro, em caráter provisório, que está localizado na Rua Frei Atanásio.

O centro foi aberto em outubro, mas, até agora, não representou uma solução para o problema. Na perspectiva dos moradores, os problemas só aumentaram.

“Quando a gente utilizava o centro da Ceasa, o serviço funcionava, na medida do possível. Agora, nesse posto provisório não temos dentista, pediatra. Há apenas ginecologista e clinico geral, que chegou há apenas alguns dias. Isso é insuficiente para atender o público”, conta Verônica.

Além disso, segundo os usuários, o acesso a remédios também tem sido limitado. As consultas com a enfermeira foram igualmente reduzidas para 10 pacientes.

A visita da reportagem do Infornativo ao local constatou alguns dos problemas relatados. Chamou atenção o fato de que às 13h no dia em que foi feita nossa visita, o local estava fechado e não havia funcionários para dar informações.

As marcação de consultas é bastante limitada, tanto que, em dezembro, não há mais vagas. Tudo isso gera um problema de competição pelo atendimento, fazendo com que os usuários tenham que dormir na fila para conseguir uma ficha.

“É um absurdo. Pessoas idosas e adultos com criança de colo tendo que esperar na fila de madrugada. As pessoas correm o risco de levar banho de chuva e de serem assaltadas, pois é uma rua pouco movimentada e esquisita”, ressalta Geisa de Oliveira, uma das que também vem lutando pela melhoria do serviço.

Tudo isso ainda gera outro problema: a venda de fichas (pessoas dormem na fila para conseguir a senha e depois vendê-la).

Segundo Geisa, além de terem que passar pela péssima experiência de dormir na rua para conseguir atendimento, os usuários ainda são maltratados por alguns funcionários do centro. “Já fui distratada pela coordenadora do centro e já vi outras pessoas sendo tratadas com grosseria e indiferença. Isso vem dificultando o acesso de muita gente ao serviço, e é algo que precisa seriamente de uma providência”, reclama.

Não é apenas para os usuários que o centro de saúde tem sido um problema. A dinâmica da rua Frei Atanásio vem sofrendo mudanças com a presença do equipamento e já começam a aparecer queixas dos moradores.

“Muitas pessoas saem indignadas com o atendimento, e isso gera muito barulho durante o dia. Mas além disso, ainda tem barulho durante a noite e a madrugada,  quando as pessoas estão esperando na fila”, relata Luciane, que mora em uma casa  vizinha do equipamento.

Ainda segundo ela, o centro não está em um lugar adequado, por se tratar de uma rua mais residencial e com pouco fluxo de pessoas.

“Esse tipo de equipamento tem que ficar em um lugar de mais visibilidade, para que as pessoas possam achar com mais facilidade o serviço” opina.

O GRUPO CRITICA

Alguns moradores do bairro encontraram uma forma criativa de criticar e buscar soluções para os problemas do centro de saúde, que vem dando resultado.

A tecnologia foi aliada nesse processo. Eles criaram um grupo no whatsapp para fazer denuncias e reclamações.

“Depois que usamos o aplicativo para fazer contato com a imprensa e sairam reportagens sobre o problema, começaram a aparecer representantes da prefeitura querendo diálogo”, conta Geraldo Barbosa, criador do grupo.

Segundo ele, depois que a imprensa fez reportagens sobre o problema do posto, foi criado um grupo no aplicativo com a presença de Rodrigo Molina, Diretor de Saúde do Recife.

“Fizemos esse grupo com o diretor, e a cada semana eu adicionava uma nova pessoa para fazer reclamações sobre os problemas do serviço. Já vemos resultados. Há alguns dias, chegou um clinico geral. Mas a gente acredita que a resolução do problema pela Prefeitura ainda está muito lenta”, ressalta.

O grupo de moradores começou a chamar a atenção da imprensa televisiva para o problema do centro de saúde quando fez vídeos das pessoas esperando na fila durante a madrugada.

“Nos vídeos aparecia uma mãe com uma criança de colo na fila. Isso chocou muito. Alem disso também fiz vídeos mostrando os novos equipamentos do consultório do dentista, que parecem ser de alta qualidade. O problema é que o centro não tem dentista”, diz Sr. Geraldo.

Agindo como fiscais e usando uma tecnologia cada vez mais acessível,  o grupo de moradores de Jardim São Paulo acaba sendo exemplo de participação e cidadania.

Centro – A Unidade Básica de Saúde (UBS) Fernandes Figueira em Jardim São Paulo já foi tema de matéria do Infornativo, em 2016.  Há um muro escondendo o andamento da obra e quem passa desatento nem percebe que há um projeto paralisado no local.

Com a obra, a ideia era que o espaço passasse a funcionar como uma Upinha 24 Horas, contando com a expansão de 50 unidades de saúde familiar.  Até agora, pouco parece ter sido feito. Quem olha para além por cima do muro que esconde a obra vê apenas uma estrutura longe de estar finalizada. Segundo  moradores, há pelo menos três anos, não é vista movimentação na obra.

“Eu lembro que os trabalhadores até vinham dar andamento à obra, mas acabavam voltando para casa com a informação de que não havia dinheiro para tocar o projeto. Só agora em dezembro vimos alguma movimentação, mas ainda não fomos informados se as obras voltarão mesmo”, contou um comerciante que trabalha na proximidade e não quis se identificar.

O abandono do projeto não tem como ser ignorado por quem precisa do serviço. Isso porque a UBS chegava a atender em média 290 pacientes por semana, e 3700 por mês, nas especialidades de obstetrícia, ginecologia, pediatria, clínica médica, nutrição e odontologia. O público vinha de Jardim São Paulo e de localidades vizinhas. Nas condições de hoje, é difícil acreditar que o centro consiga atender a essa demanda.

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