UBER’S E TAXISTAS BUSCAM UMA SOLUÇÃO

por: Rafael Eduardo| Ilustração: google

A polêmica entre taxistas e motoristas do serviço Uber é uma das que está mais em pauta nos veículos de imprensa e nas redes sociais no Brasil e em outros países.

Isso porque o Uber é um serviço de transporte individual, que funcionam de forma semelhante ao táxi. Os empreendedores da empresa, fundada no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, preferem denominar o serviço como uma “carona remunerada”.

Funciona de forma fácil. O usuário pede o transporte através de um aplicativo de celular. Um motorista cadastrado na empresa, que esteja mais próximo do cliente, segue e faz a corrida. Os pagamentos são feitos, geralmente, com cartão de crédito ou débito.

Quem usa o Uber  sente a diferença no bolso. As tarifas chegam a ser  40% mais baratas do que nos táxis. “Passei a fazer uso de transporte individual a partir do Uber. Antes não tinha condição de circular pela cidade dessa maneira com muita frequência”, conta Laila Valois, moradora do bairro do Prado.

Enquanto a taxa inicial nos táxis no Recife é de 4,75, no aplicativo fica por cerca de 2,50. Esse movimento novo, é claro, não agradou aos taxistas, classe já consolidada no setor de transportes individuais.

“Acredito que eu já tenha perdido, pelo menos, 50% da clientela. Tem dias em que eu chego no ponto às 18h e só venho conseguir a primeira corrida às 22h. Isso afetou meus rendimentos e eu tenho família para sustentar”, relata Leandro de Melo, que é taxista há pelo menos três anos no bairro de San Martin.

OS DOIS LADOS:

As pessoas que se tornaram motoristas do Uber tem um argumento central: a atividade é uma alternativa de emprego para superar a crise econômica e conseguir renda extra.

Esse foi o caso de Jenifer Bastos. Ela tinha um pequeno negócio que vendia artigos importados, mas teve que fechar a empresa por conta de complicações geradas pela crise econômica que atinge o Brasil e outros países.

Jenifer roda pelo Uber  há seis meses e garante que os  ganhos valem a pena. “A clientela varia, dependendo do momento, mas, no geral,  o faturamento é positivo. O motorista tem que estar  atento aos eventos que acontecem na cidade e tem que se esforçar.  Assim o retorno é garantido”. Para se tornar motorista de Uber é necessário receber um convite e fazer cadastro na sede da empresa no Recife. Há pouco tempo trabalhando com o serviço, Robson Santos elogia a flexibilidade da atividade. “Eu cubro os horários da manhã e da tarde, de forma variada, e mesmo assim, a demanda é muito boa. Por oferecer essa liberdade, o Uber  acaba sendo uma alternativa”.

Os taxistas da zona oeste do Recife, entrevistados pela reportagem do Infornativo, concordam que, nesse período de crise, é necessário oferecer novas possibilidades de emprego, mas isso não deve afetar outros trabalhadores.

“Eles não podem permitir que a geração de emprego para uns implique em desemprego ou afete outros profissionais. É isso que tem acontecido. Nós consideramos a concorrência desleal, porque nós pagamos muitos impostos, que encarecem nossa tarifa. Os motoristas do Uber não tem esses encargos e acabam ganhando a concorrência por conta do preço”, argumenta o taxista Edson Alexandre.

Essa situação gerou tensão em todo o Brasil. Em São Paulo, por exemplo, aconteceram inúmeros incidentes, mostrados pelas mídias. Em geral, grupos de taxistas cercavam os motoristas do Uber, impedindo que prestassem o serviço.

Enquanto fazia uma corrida para Porto de Galinhas, Jenifer Bastos também sofreu com essa hostilidade. “Taxistas de Ipojuca perceberam que eu era Uber e me acusaram de tentar roubar o ponto deles. Vieram para cima do meu carro”, conta.

Contra o aplicativo, os taxistas do Recife ainda fizeram seguidas manifestações nos meses de julho, agosto e setembro, que incluíram reuniões do sindicato da classe com a Companhia de Trânsito e Transporte Público, CTTU, e denuncia no Ministério Público (MP).

“Eu acredito que o caminho seja esse. Não é certo ter violência contra outros trabalhadores. O certo é pressionarmos os setores públicos para que eles possam dar a melhor solução para todos. A prefeitura poderia rever as tarifas que pagamos para que nossos preços também fiquem competitivos”, propõe Edson Alexandre.

Alessandro Francisco também faz críticas à própria classe profissional. Ele acredita que esse é um momento em que os taxistas devem rever suas posturas. “Temos que nos organizar. Muita coisa precisa ser revista, como a questão da distribuição das praças, as ações do sindicato e até a forma de atendimento ao cliente” opina.

Catarina Nascimento, moradora do bairro do cordeiro, concorda com os taxistas. Usuária do Uber, ela acha que os profissionais devem lutar para conseguir ter tarifas mais baratas para atrair clientes. “Eu não costumava usar táxi, porque a tarifa é muito alta. Passei a fazer mais uso no dia-a-dia de transporte individual com o Uber. Então acho que grande parte do problema está no preço, mas o tratamento ao cliente também é importante. Os motoristas do Uber são orientados a oferecer água, balinhas e a permitir que o cliente escolha a música. Acho que isso é positivo”, avalia.

No mês de setembro, o desembargador do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) Erik Simões suspendeu todas as liminares que proibiam a Prefeitura do Recife de apreender e aplicar multas em motoristas de Uber. Desta maneira, os veículos estão sujeitos a ser recolhidos pelos órgãos de fiscalização e vale a pena lembrar também, nesse contexto, que o Prefeito do Recife, Geraldo Júlio, buscou apoio dos taxistas para conseguir sua reeleição.

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