Tem solução para os engarrafamentos?

por : Peixe / Fotos: Osvaldo Morais

Provavelmente, muitos leitores deste jornal devem estar neste momento, presos em algum engarrafamento na Região Oeste do Recife. Nosso editor percorreu as ruas e avenidas a fim de investigar situações que podem servir de orientação para condutores e passageiros de veículos. Para isto observamos o cenário e nele, alguns transeuntes foram entrevistados para saber sobre quais eram os parâmetros que cada um estabeleceu, como poderia ser melhor a relação entre aqueles que precisam trafegar nas ruas e avenidas da região.

As entrevistas e fotografias das situações foram realizadas no horário das 16h às 18h, do dia 16 de dezembro de 2016.

Oinício do percurso nos mostrou em pouco tempo, o primeiro ponto de engarrafamento: no encontro da Rua Conselheiro Silveira de Souza com a Rua Antero Mota, no bairro do Cordeiro. Os moradores e comerciantes garantem que se voltarmos todos os dias naquele horário ou em outros durante o dia, iremos encontrar o mesmo cenário: “É muito carro, parece um funil onde derramam carros dos três lados”. Esse foi o depoimento de um motorista, ao perceber que o engarrafamento estava sendo fotografado, falou de dentro do seu carro.

Outros interessados pela movimentação jornalística se aproximaram e solicitaram saber o porquê de nosso trabalho. Depois de se identificar e mostrar o propósito do trabalho, ganhamos confiança e os transeuntes já começam sugerindo através de soluções na prática: “-A primeira coisa que devia ser feita, era ter mais guardas de trânsito circulando por aqui. A gente vê muitos carros estacionados em locais que não deviam, porque cada rua dessas tem apenas duas vias com mão e contramão. Sempre tem um susto, uma colisão de motoqueiros e buzinaço daqueles revoltados.” – falou o primeiro transeunte. João Pedro, que mora no Cordeiro e estuda no bairro da Iputinga complementa: “- Meu pai nunca pega essas ruas quando vai me deixar no colégio de manhã, tem um pouco menos de carro, mas engarrafa do mesmo jeito que esse horário da tarde.”

Seguimos para Rua Gomes Taborda (Rua da Lama) pois sabíamos que nas imediações da Avenida do Forte o trânsito se intensificava diariamente nos horários do rush.

A expressão “hora do rush” significa horário de pico, também horário de pique – do inglês rush hour, é uma parte do dia em cidades grandes com tráfego cheio e congestionamentos nas ruas e estradas, além do maior fluxo de transporte público, que geralmente lota nestes momentos.

A hora de pico ocorre geralmente nos períodos em que a maioria das pessoas estão se deslocando de casa ao trabalho e vice-versa ou durante os grandes movimentos nos feriados ou finais de semana em direção às zonas balneares, e também nos chamados feriadões do carnaval, da páscoa ou em outros chamados de “imprensados”.

Nas imediações da Rua Paes Cabral, estacionamos e registramos “o final da grande fila de carros”, e ouvimos a queixa do Sr. Manoel de Assunção: “ -Meu querido, são quatro quarteirões daqui para Avenida General San Martin. É muito carro nesse mundo. Muitos carros e poucas ruas adequadas que façam o trânsito andar normalmente nesses horários. Tenho 73 anos e vejo esse problema crescendo no bairro do Cordeiro. Moro aqui e por ser aponsentado, tenho as regalias de andar de táxi e as vezes de carona.” – Quando perguntado sobre os transtornos causado pelos engarrafamento na vida dele, responde:  “-Antes, eu não precisava ter que me organizar tão cedo. Saia de casa e já tava no trabalho rapidinho. Quero poder um dia voltar a morar no interior, quero descansar. Eu gosto daqui, mas penso na poluição que esses carros também trazem para nossa saúde.”

E respeitando a sugestão de Sr. Manoel, seguimos para o encontro da Rua da Lama com a Avenida General San Martin. Lá pudemos registrar o “começo da fila”, é no sinal de trânsito que acumulam-se ciclistas, motoqueiros, condutores de veículos particulares e coletivos. Mas não podemos esquecer os pedestres, que em todos os momentos, correm riscos ao realizar as travessias. As principais avenidas, por serem mais largas, e com a sinalização desgastada, fazem com que Senhores como Manoel afirmem o seu estado de insegurança.

Vejam o que diz Talles Jr. que trabalha nas proximidades do Mercado do Cordeiro: “ Nesse sinal da Avenida General San Martin eu já vi de tudo… acidentes graves com todos os tipos de veículos. Pode ver que quando o sinal abre é uma loucura. Por isso ando de bicicleta, não quero um dia precisar ter que trabalhar de carro. Ficar preso durante horas do meu dia dentro do carro, não dá para mim.”

Perguntamos se ele sente segurança em trafegar de bicicleta: “ Boa pergunta! Claro que não. Gosto da bike, porque ela me faz chegar cedo e vou curtindo o caminho. Minha sorte é trabalhar perto de onde moro, ai vou evitando pegar essas avenidas que tem muitos carros, vou pelas ruas de dentro dos quarteirões. Mas quando chego perto do Hospital Getúlio Vargas, não tem jeito. Tenho que ficar ligado e me proteger, para evitar acidentes.

Percorremos a Avenida General San Martin, em direção ao Mercado Público do Cordeiro, e nas imediações da Rua Amália e Praça Getulio Vargas e percebemos que novas situações refletiram a impaciência de alguns condutores, que de forma irresponsável, entraram na contramão, para tentar escapar da paralisação. Outros também retornaram em sentido contrário, e seguiram por outros caminhos. Lembramos que estas manobras além de ilegais, podem trazer riscos à vida das pessoas que trafegam nas ruas e avenidas, quer sejam motoristas, ciclistas, motociclistas ou pedestres.

Entretanto, um dos maiores engarrafamentos da Região Oeste, ocorre em um trecho relativamente curto, mas é um teste de paciência para os motoristas, que precisam diminuir a velocidade da praça Getúlio Vargas, indo pela Rua Honório Correia, onde encontra-se o Mercado e a Feira Popular do Cordeiro, que é norteado por um centro comercial com lojas de diversos serviços e produtos. Nesta rua, onde o número de faixas aumenta, teoricamente seria o lugar onde o engarrafamento da Avenidade General San Martin se dissiparia. Não é o que acontece, pois os veículos somam-se ao movimento de feirantes e vendedores ambulantes que se apropriam ou estacionam em uma das laterais da rua e ficam até a feira das sextas-feiras e sábado terminar.

Olga do Carmo, moradora de San Martin que fazia compras na feira de frutas e verduras, apontou para os carros estacionados em local proibido e disse: “-A gente fica só olhando as pessoas descerem do carro, entrarem nas lojas e o carro permanece lá atrapalhando o trânsito. Eu acho que isso é egoísmo de gente que se acha melhor do que as outras, as vezes por ter bens materiais, as vezes por ter cargo político ou em órgão público. É a vida meu jovem: como você pode ver, tem gente dentro do carro, com ar condicionado ligado para esfriar a cabeça, tem outras que não tão nem aí para isso. Desrespeita na cara de pau e fica por isso mesmo.”

A Rua Honório Correia é ligada à Avenida Caxangá pela Rua Gregório Júnior. Uma rua estreita que mais uma vez afunila o fluxo dos carros em 2 faixas. Os vendedores ambulantes alertam para o risco de acidentes causados por impaciência e imprudência de alguns motociclistas que gostam de ganhar tempo usando os corredores: “Oxe, já fui atropelado por aqueles meninos que usam cinquentinha, andam todos se aventurando, vida louca! A gente tem que tirar onda com outras coisas, com a vida da gente e dos outros não.” – O vendedor preferiu não se identificar.

Tais situações mostram a ineficiência na execução do plano diretor que cuida da mobilidade urbana de nossa cidade, aliada à falta de educação de alguns condutores de veículos motorizados. Assim, é visível que há redução da qualidade de vida das pessoas em geral, motoristas, transeuntes e moradores.

Entendemos que as entidades que regulam o trânsito precisam colocar mais profissionais nas ruas e avenidas para ordenar os fluxos, fiscalizar e multar os infratores, que façam um estudo e adequem a sinalização às necessidades e que também realizem modificações na mobilidade de algumas vias, mudando trajetos. Mas também alertamos que é necessário a contribuição das pessoas que circulam nestas vias, ao ter o mínimo de repeito com os outros que também transportam ou são transportados e desejam ir e vir com segurança.

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