Recife se mobiliza contra o impeachment

Ilustração: Ribs

Ilustração: Ribs

por: Gabriel Augusto

O afastamento da presidente Dilma não foi suficiente para conter as mobilizações contrárias ao impeachment e ao governo provisório do vice-presidente Michel Temer. Embora o afastamento, que tem o prazo máximo de 180 dias até o julgamento final no Senado, não seja definitivo, muitos atos e atividades contestando o governo de Temer já foram marcados em todo o país e no Recife não está sendo diferente.

O governo Temer está sendo fortemente contestado desde seus primeiros dias, quando foi anunciada a composição de sua equipe ministerial. A ausência de mulheres e negros no primeiro escalão do governo foi percebida como um retrocesso, assim como a extinção de pastas como o Ministério da Cultura e das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos. Além disso, um conjunto de medidas já anunciadas por Temer e sua equipe econômica devem ter um forte impacto nas pessoas que trabalham e nos aposentados.

Um exemplo, a reforma da previdência (que o governo Dilma também já havia anunciado), pode aumentar a idade mínima pra aposentadoria, fazendo com que pessoas na iminência de se aposentar tenham que continuar em seus postos de trabalho. Outra medida amarga proposta por Temer é a desindexação dos orçamentos da educação e da saúde. Atualmente, os governos federal, estaduais e municipais são obrigados por lei a investir um valor mínimo nessas áreas; o que o novo governo propõe é que este valor mínimo não exista mais.

No domingo (15/05), centenas de pessoas reuniram-se na Praça do Derby, convocadas pela Frente Povo sem Medo, para um “Encontrão das Resistências”, cujo objetivo era reunir pessoas de diversos movimentos, coletivos e organizações políticas contrárias ao impeachment e que entendem que da forma como este foi feito, trata-se de um golpe parlamentar. Na reunião, discutiu-se como organizar a resistência ao governo que se inicia, o qual não é considerado legítimo.

No encontro, decidiu-se estabelecer uma agenda das resistências, apresentando todas as atividades dos movimentos contra o impeachment e o ajuste fiscal durante a semana. Na terça-feira (17/05) foram realizadas plenárias das frentes de luta no Sindicato dos Bancários e a plenária “a saída é pela esquerda”, na UFPE. No mesmo dia, realiza-se um ato “Educação pela Igualdade”, pelo fim da violência contra mulheres e LGBTs nas escolas. O último ato insere-se na programação dos movimentos pelo dia internacional de combate à homofobia.

Na quarta-feira (18/05), ocorreu ato contra o fim do Prouni e do Fies. Já na sexta, na Assembleia Legislativa, haverá uma audiência pública contra a criminalização da luta popular.

Estas, assim como outras atividades estão sendo divulgadas nas redes sociais da Frente Povo sem Medo, para que os interessados possam se unir aos militantes para lutar contra o golpe. Fiquem de olho no calendário de ações e mobilize seus parentes e amigos que compartilham  do mesmo entendimento que tens, sobre a situação que vive o cenário político nacional.

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