“Pagar a passagem ou comprar o pão?”

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por: Gabriel Augusto / Fotos: Fb Frente Popular  de Luta  Pelo Transporte Público e Meu Recife / Ilustração: Latuff

Cinco minutos. Foi o tempo que durou a reunião do Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM) que aprovou praticamente sem debate mais um aumento das passagens de ônibus do Recife e Região metropolitana. Dessa vez, o Anel “A” sai de R$ 2,80 para R$ 3,20 e o Anel “B” passa a valer R$ 4,40 (o valor anterior era de R$ 3,85). Com mais esta elevação no preço da passagens, o governo de Paulo Câmara celebra uma marca negativa: aumentos em todos os anos da gestão.

Um dado importante deste aumento é que seu valor é muito superior ao índice de inflação registrado no ano de 2016 em Recife. Enquanto o aumento é de 14%, a inflação no Recife é um pouco inferior a 7%. Isso significa que o aumento percentual do valor das passagens é superior ao valor, por exemplo, da maioria dos reajustes salariais e da alta de preços dos produtos.

Nas últimas semanas, pelas redes sociais, as pessoas têm compartilhado imagens e vídeos da campanha eleitoral de 2014, onde o governador Paulo Câmara prometia passagem a preço único de R$ 2,15. As promessas, que incluíam a tarifa única, o bilhete único e a conclusão dos terminais integrados da Caxangá: um nas proximidades do viaduto e outro na Av. General San Martin.

Por enquanto, nenhuma das promessas do então candidato Paulo Câmara foi cumprida, apesar do aumento anual das passagens ser votado por representantes do governo do estado no CSTM. Além disso, as usuárias e usuários do transporte coletivo no Recife seguem enfrentando as filas nas integrações, ônibus lotados e o imenso desconforto ao andar em veículos sem climatização e muitas vezes tendo de ficar de pé durante toda a viagem.

Em 2016, um problema a mais foi se agravando e tomou proporções assustadoras. A quantidade de assaltos a ônibus. De 2015 para 2016, com dados da Secretaria de Defesa Social, até agosto havia um aumento de mais de 35% na quantidade de assaltos, tornando as viagens, que já eram caras e desconfortáveis em inseguras.

A Frente de Luta pelo Transporte público, que reúne entidades do movimento social e estudantil, tem convocado a população para rejeitar mais este aumento. Durante a reunião “relâmpago” do dia 13 de janeiro, que aprovou os novos valores, foi realizado um ato, assim como uma nova manifestação aconteceu no último dia 17.

Além disso, a Frente tem questionado judicialmente a medida que aumentou o valor da passagem, alegando a pouca transparência na definição dos preços, uma vez que as empresas nunca revelam os reais custos para executar o serviço. Esta falta de transparência pode provocar aumentos abusivos, que visariam não apenas cobrir os custos, mas aumentar os lucros dos poucos empresários que controlam o setor.

Por diversas vezes, o Jornal Infornativo noticiou os problemas do transporte público na Zona Oeste do Recife. Dentre os problemas levantados por moradores e moradoras, está a insegurança nas paradas e terminais, as frotas pequenas e a quantidade reduzida de viagens, a lotação dos veículos, a queima das paradas de ônibus por parte de alguns motoristas, a ausência de linhas de integração com a Zona Norte do Recife.

Os problemas são vários. Com sucessivos aumentos de passagem nos últimos 3 anos, nenhum desses problemas foi solucionado ou sequer diminuídos. O Jornal Infornativo continuará nas ruas investigando a qualidade dos serviços de transporte e abrindo espaço para as demandas da população.

 

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