Os transtornos na requalificação das calçadas

por: Peixe / Fotos: Osvaldo Morais

O Jornal Infornativo vem acompanhando a execução de duas obras de requalificação das calçadas de duas vias importantes da região oeste: a Rua Carlos Gomes (na Madalena e Prado) e a Avenida do Forte (no Cordeiro). Como costumamos fazer, ouvimos a população sobre os impactos positivos e negativos que uma obra como essa provoca.

Conforme notícia do portal da Prefeitura de Recife, a obra faz parte da primeira etapa de requalificação de passeios públicos na cidade, cujo investimento inicial é de R$8.898.191,17 milhões, licitadas no mês de junho. É um lote de 12 ruas e 10,9 Km de calçadas. No entanto, ao todo, serão 114 ruas e 12 largos nas 5 Regiões Administrativas de Recife, com um custo de R$ 105 milhões. O primeiro lote está sendo iniciado nas Ruas Carlos Gomes e Avenida do Forte, mas abrange outros logradouros. No portal, também encontramos a seguinte informação: “Além da recuperação do piso, serão realizadas soluções com rampas de acessibilidade, percursos legíveis, preservação dos passeios históricos, paisagismo, entre outras melhorias. O objetivo é garantir o conforto, a segurança do pedestre ao caminhar e a conectividade com a rede de transporte público.”

APROVAÇÃO – Todas as pessoas entrevistadas demonstraram aprovação a respeito da obra, com algumas ressalvas que colocaremos adiante. Historicamente, os pedestres são esquecidos e desrespeitados em seus direitos de acessibilidade. Ademais, por lei, os responsáveis pelas calçadas são os donos dos imóveis, mas não há lei que os obrigue a uniformizá-las, o que gera verdadeiras aberrações, tais como: locais sem piso de cimento armado, calçadas com níveis diferentes ou com piso liso oferecendo risco de acidentes. Essa uniformização das calçadas é bem-vinda pela população.

João, comerciante há 3 meses instalado no imóvel na esquina da Avenida do Forte com a Avenida Caxangá, considera que valorizou a frente do seu restaurante. Maria Helena, moradora do Cordeiro, acha que quando concluída poderá evitar acidentes. Guilherme, estudante na avenida do Forte lembrou que havia muitos buracos e que houve melhoria. Ivan, dono de restaurante acha positivo o benefício que trará para as pessoas deficientes.

Contudo, como em toda obra é inevitável e compreensível os transtornos temporários que ela causa. Nos chama atenção, porém, a ocorrência de evidências de falta de zelo com o que é público, pois há materiais como areia, cimento e tijolos despejados em locais inadequados e sem segurança, correndo o risco de serem furtados.

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REPROVAÇÃO – Outra fundamental observação diz respeito à falta de cumprimento às normas de segurança na execução do acabamento da obra. Verificamos que há no meio das calçadas várias caixas de esgoto ou fossas abertas sem nenhuma proteção e outras tampadas com palet’s de madeira sem o encaixe adequado, podendo ocasionar acidentes para quem transita à noite, para quem tem baixa visão, e até para crianças e idosos desatentos. Os transeuntes entrevistados fizeram várias referências a estes problemas: “O pedestre tem de andar na rua em alguns pontos que ainda tem esgotos ou fossas abertas, se expondo ao trânsito de carros ou tem de passar para o outro lado da rua. Os buracos ou fossas, sem tampa pode causar acidentes.”  – Opina Maria Helena. “O acabamento está muito ruim porque os esgotos estão abertos, com bueiros abertos, e as pessoas do Instituto dos Cegos que transitam aqui podem cair dentro e se machucar.” – Mostra preocupação, o estudante Guilherme. “Teve acidentes aqui de noite, com as pessoas que não enxergam… tropeçam e caem.” – Confirmam a preocupação dos outros entrevistados, as estudantes Alícia e Natali.

Ivan, comerciante que tem um restaurante na Avenida do Forte afirma: “Não sei se esse foi o objetivo… aqui enche d’água… as galerias aqui ficam tudo entupidas. Então deveriam ter feito o desentupimento das galerias.  Aqui na frente do restaurante, fiquei com esse esgoto aberto, reclamei, fizeram um paliativo colocando uma tampa improvisada… mal cheiro, rato barata são coisas que tenho que ficar atento por trabalhar com comida… mas a calçada está ficando bem-feita, tinha muito obstáculo para deficientes.” A estudante, Natali também lembrou: “Quando chove alaga… não pode chover que sempre alaga. O que resolveria era antes, ajeitar essas canaletas. A calçada em si não tinha tantos problemas.” Esses depoimentos alertam para um problema que talvez não tenha feito parte do planejamento desta obra, que são as enchentes recorrentes que há nestes locais a cada temporada de chuvas.

Os gestores públicos tem de enfrentar com mais seriedade aquilo que não está aparente, mas que aflige o nosso povo. Esgotos e canaletas não ficam visíveis… calçadas são visíveis num ano de vésperas de eleições estaduais, em que  Prefeitura e Estado tem sido compartilhado por um mesmo partido. O eleitor precisa pensar a esse respeito com discernimento.

Ao todo, serão 114 ruas e 12 largos divididos em áreas estratégicas da cidade e contemplando todas as Regiões Político Administrativas (RPAs). Estão previstos mais de R$ 105 milhões destinados para a requalificação dos 134 quilômetros de calçadas e 56,3 mil m² em largos. O recurso é do Governo Federal com contrapartida do município.

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