Os nativos da região oeste vão invadir sua praia.

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Zona Oeste do Recife não tem praia, mas tudo bem. A distância não é um empecilho para quem quer praticar o surf. Tem que pegar a estrada com a prancha, mas, afinal, a praia mais próxima, onde a prática do esporte é viável, nem fica tão longe. De Itapuama, no litoral sul, para os bairros da zona oeste é um pulo. A viagem leva entre 30 e 40 minutos.

Buscando saber quais são os melhores picos para quem está na zona oeste e quer praticar o esporte, o Infornativo conversou com surfistas da região. Os melhores pontos para quem quer começar e para os que já tem experiência e buscam ondas mais fortes estão no litoral sul do estado.

Júlio Marcos surfa há 7 anos e costuma freqüentar mais a praia de Itapuama. “É um lugar muito bom para quem está aprendendo, porque a onda não é tubular. É mais fraca. Então junta muita gente, e a praia tem alguns picos de surf, como ‘Tubarão’ e ‘Nordestão’. Geralmente esses picos tem em torno de 50 ou 60 pessoas nos dias de mais movimentos. Também costumo sufar na região de Porto de Galinhas, onde a onda é mais forte e mais tubular. Ir para essa região é bom porque dá pra fazer um bate e volta. Da para ir, surfar três horinhas, e voltar”.

Desde muito jovem, Lucas Andrade pratica surf. Ele começou há 16 anos em Boa Viagem. “Naquela época era possível, porque não tinham feito ainda a obra do Porto de Suape, que provocou o aparecimento de tubarões na região que vai desde Barra de Jangada até Olinda. Lembro que a área onde hoje fica o Parque Dona Lindu era onde tinha as melhores ondas. Hoje surfo mais em Itapuama, mas também costumo ir às praias de Maracaípe e Cupe. Itapuama tem ondas mais deitadas, mais gordas, e a água costuma ser mais turva. Já Maracaípe e Cupe tem ondas mais “em pé” (tubulares), que vem com mais força, e a água costuma ser mais cristalina. Essas são o que a gente chama de fundo de pedra. É para quem tem mais experiência”, explicou, Lucas que surfa pelo menos três vezes por semana. “Preciso disso para viver bem. É como um ritual. Vejo como um estilo de vida”.

“Geralmente surfo nas praias de Serrambi e de Porto de Galinhas. As ondas nesses picos tem o mesmo esquema. São ‘fundo de pedra’, que vem com mais força, são mais altas,por conta do coral, e formam um tubo. Comecei a praticar já ali na região de Itapuama, onde a onda é mais deitada. Mas também gostava de surfar em Enseada dos Coerais e Gaibu. Então, quando comecei já peguei esse movimento de surfar mais no litoral sul, por conta do risco de ataques de tubarão no litoral norte. Acontece um movimento de surf ainda em Olinda, nas prais de Del Chifre e Zé Pequeno, mas eu não arrisco”, contou Silvio Santos, que surfa há 12  anos.

O risco de ataques de tubarão é realmente iminente na região do litroal norte. Segundo pesquisas do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) – formado pelo Isntituto Oeanário, a Secretaria de Defesa Social (SDS), a empresa estadual de meio ambiente de Pernambuco, pesquisadores da Universidade Federal Rural (UFRPE) e o Corpo de Bombeiros – há risco de ataques de tubarão na faixa que vai desde a praia de Bairro Novo, em Olinda, até a praia do Paiva.  Cerca de 90% dos ataques acontecem na região entre a praia do Pina e do Paiva.

Rota - Os três surfistas concordam quanto à melhor rota par chegar ao litoral sul. Julio e Lucas, que moram em San Martin, e Silvio, que mora no Cordeiro, geralmente vão pela avenida Recife, indo pela Imbiribeira, passando por Piedade, Candeias e Barra de Jangada. Esse percurso leva até o pedágio na praia do Paiva. Tem que pagar o pedágio… mas é vantagem, segundo eles, porque o outro caminho, indo pela BR-101, costuma levar 1h ou mais de viagem. Nessa rota que eles sugerem, você pode chegar em entre 30 e 40 minutos.

Pra começar - Vendo esses depoimentos de pessoas que praticam o esporte, dá uma vontade de começar a pegar onda? Nunca é tarde e não tem desculpa. “Surf hoje não tem pré-requisito. Não tem idade nem peso determinados para poder praticar. No rio de Janeiro tem um projeto bacana, chamado AdaptSurf. Eles mostram que pessoas com deficiências físicas e mentais podem praticar surf. Lá em Santos tem escola de surf para idoso.  Tem mulher de 70 anos começando a surfar. Surf só tem um pré-requisito: saber nadar. Não tem restrição de peso.Tem pranchas que eu faço para pessoas de 160 kg”, explica Maurício Bandeira (Gamba) que surfa há 28 anos e tem uma loja dedicada ao esporte, no Bongi.

Só tem uma questão. Sair por aí já querendo surfar sem instrução pode ser perigoso.  Segundo Gamba, é bom, antes de tentar pegar onda, frequentar algumas aulas preparatórias.  “Tem muitas aulas de surf na cidade. Em academias, tem como treinar a remada e exercícios respiratórios, para manter o condicionamento físico. Tem pessoas que surfam e fazem esse treinamento duas vezes por semana e depois vão praticar também na praia. Quando a pessoa está iniciando, o mais importante é a técnica de remada. Então hoje tem essa alternativa até na piscina para desenvolver a técnica de remada em uma velocidade que seja possível pegar onda.Quando a pessoa não sabe remar, não consegue entrar na onda, porque não teve a velocidade certa de remada. Isso é o mais importante para iniciar”, diz o surfista.

E quem pratica só tem a ganhar. É um esporte muito bacana para a realidade de vida que a gente tem hoje, que é muito pautada pro produzir, por metas, surf é uma válvula de escape”, completa o surfista.

“- O surf , me ajudou a mudar de hábitos, porque quando quero surfar bem, preciso dormir cedo pra acordar muitas vezes, de madrugada e pegar estrada. Faço isto algumas vezes, porque além de encontrar o mar “terral” também tenho que voltar pra trabalhar. Não tem preço começar o dia assim. O equilíbrio e a paciência já começa a ser exercitada dentro d’água, ai tento estender os ensinamentos do surfe durante o processo de trabalho”, disse Marcos Viela, morador da Estância, que surfa de bodyboarding há 11 anos.

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