No Jiquiá | Os desdobramentos pós Ocupação Olga Benário.

Os moradores do entorno do terreno onde existe um projeto de ser construído o Complexo Comercial e Residencial  Ecocity Jiquiá foram surpreendidos no dia 21 de maio com a ocupação de cerca de 600 pessoas, que a chamaram de “ocupação Olga Benário”. O fato causou certo reboliço nas comunidades do entorno e mobilizou a empresa proprietária do terreno a tomar algumas medidas. Como não foi possível a desocupação com a intervenção policial, a empresa entrou na justiça com um pedido de reintegração de posse, sendo atendida de pronto, e os ocupantes do terreno se retiraram pacificamente.

Em situações como estas, proprietários de terras ocupadas são atendidos com brevidade pela justiça se esta ocupação não ultrapassar o período de um ano e um dia. Por essa razão não houve conflitos maiores entre os membros da Olga Benário e o poder público.

As pessoas que possuem imóveis ou moram de aluguel no local onde o projeto será realizado, especificamente as que já foram cadastradas em outubro 2013 pela Prefeitura de Recife para o ingresso no Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), se reúnem esporadicamente com os empresários do Ecocity Jiquiá para discutir os encaminhamentos para a realocação das famílias e comerciantes.

Na última reunião, após o episódio da ocupação Olga Benário, a empresa esclareceu que construiu muros para proteger sua propriedade de possíveis ocupações e discutiu com os moradores de que maneira seria o acesso às suas moradias.

Paulo Lavareda,engenheiro mais presente no loteamento,  alega que compreende o Programa MCMV como um programa social de realocação de pessoas de áreas críticas (sendo estas  proprietárias de imóveis)  ou se o local for área de preservação ambiental, como é o caso dos moradores do Caxito e da Cabeça da Vaca. Os mesmos construíram seus imóveis em cima de cursos de águas e em limites de uma propriedade privada.

O engenheiro coloca-se à disposição dos moradores para mediar a realocação junto ao Setor Público, bem como para ter condições de impulsionar a construção do Shopping que irá dinamizar o comércio na região com brevidade.

Segundo ele, nos próximos dias os moradores já cadastrados serão convidados a uma nova reunião para a empresa  prestar alguns esclarecimentos sobre os direitos de entrada dos moradores no MCMV e também para coletar documentos que a caixa econômica requer para oficializar a inscrição no programa. A relação de documentos  que os cadastrados deverão fornecer é: Identidade, CPF, certidão de nascimento ou de casamento, dentre outras.

Na ocasião, os empresários deixarão esclarecido que o processo MCMV é para moradores da área  que construíram imóveis e estão residindo no local e também para  inquilinos, pois o que vale é o fato de já estar morando lá. Irão alertar os inquilinos que estão morando nos imóveis até a presente data, que eles têm direito à realocação pelo MCMV se continuarem nos imóveis até a desocupação.

Continuando, a reunião será coordenada pela empresa, com convites aos moradores cadastrados e será extensivo à prefeitura. Como a empresa necessita que essas questões sejam resolvidas com brevidade, alega que se o poder público não comparecer, levará a ata da reunião com líderes comunitários para formalizar os entendimentos e cobrar alguma posição objetiva.

O empreendedor, diz compreender que, mediante o atual quadro de crise econômica que o país atravessa, a Prefeitura de Recife deveria olhar com mais responsabilidade social e interesse para a execução do empreendimento Ecocity Jiquiá. Argumenta que somente com a construção e funcionamento do shopping serão gerados cerca de 7000 empregos, e informa que o complexo residencial será construído posteriormente gerando mais 6.000 empregos.

O Jornal Infornativo conseguiu falar com 2 moradores e ambos pareceram otimistas em relação à perspectiva de garantia da realocação de pelo menos 500 famílias por parte da Prefeitura de Recife, com a possibilidade da doação pelos empresários, de um terreno no bairro de Jardim São Paulo, para Prefeitura do Recife, arranjado pelos próprios moradores.

Embora cadastros tenham sido feitos, documentações estejam sendo solicitadas pela Caixa e embora haja um terreno em vista para ser adquirido com a finalidade de construir novas moradias, é prudente que os moradores se organizem e fortaleçam o grupo para cobrar que a prefeitura saia do campo das promessas para a efetivação das medidas de realocação.

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