Os 10 anos da Quadrilha Dona Matuta

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por: Peixe / fotos: Arquivo da Quadrilha Dona Matuta

O mês de junho vem chegando e com ele a alegria das festas juninas decoram a paisagem nos bairros da cidade. Nas instituições públicas e privadas da Região Oeste do Recife, as bandeirinhas e balões já podem ser vistos com quase um mês de antecedência a festa de São João. Isto talvez aconteça, porque as tradições sertanejas permanecem e se valorizam a cada dia entre os moradores das cidades litorâneas.

Um exemplo deste fenômeno cultural é aumento significativo de restaurantes que oferecem um cardápio baseado nas comidas típicas do sertão. A referência não fica apenas no cardápio, se investe em decoração do ambiente e na caracterização do figurino como uniforme para garçons e seguranças. Os nome do restaurante normalmente tem haver com elementos da cultura nordestina: nomes de personagens históricos, fragmentos do dialeto derivados no jeito de falar do sertanejo, quase sempre fazem parte da marca destes restaurantes.

Mas é nesta época do ano que a cultura do sertão além de trazer sua riqueza e diversidade na culinária, une os moradores para dançar nas quadrilhas juninas. Em San Martin não poderia ser diferente, por aqui temos a Dona Matuta que há dez anos leva alegria por onde passa. Formada em 2006, a quadrilha nasceu da união de jovens veteranos em quadrilhas, que tinham como objetivo brincar o São João. Em 2007, a Dona Matuta conquista o primeiro lugar do Grupo dois do Festival Pernambucano de Quadrilhas Juninas promovido pela Prefeitura do Recife e em 2009, consagra-se campeã do Festival de Quadrilhas da Rede Globo Nordeste, título que também conquistou nos anos de 2010 e 2012.

A seguir, entrevista com Sérgio Trindade, fundador, marcador e coordenador da Quadrilha Dona Matuta:

INFORNATIVO: Vocês se apresentam em outras épocas do ano que não o São João?

SÉRGIO: Sim, fazemos várias apresentações fora do ciclo junino e em outros estados também.

INFORNATIVO: Como é a receptividade dos moradores do bairro? Vocês já se consideram bastante conhecidos em San Martin?

SÉRGIO: Muito boa, maravilhosa até. Os moradores param pra perguntar quando começa, como está o ensaio… principalmente os moradores da Rua Pedro Melo no dia que tradicionalmente a quadrilha dança na frente da minha casa.

INFORNATIVO: Você acha que ocorre com o forró pé-de-serra o mesmo que com o frevo, ou seja, só dão mais incentivo e visibilidade ao estilo numa época do ano?

SÉRGIO: No caso do forró pé-de-serra, acredito que ainda é pior, pois os custos são altíssimos. Só para você ter uma ideia, o espetáculo de 2013 está em torno de 80 mil reais, tudo isso sem apoio financeiro, apenas com ajuda dos componentes e festas que promovemos no carnaval como o Baile Aqui Todo Mundo Faz e a festa de Lançamento do Tema.

INFORNATIVO: Como vocês usam os recursos tecnológicos para divulgar seu trabalho?

SÉRGIO: A Dona Matuta é referência no Brasil devido ao título de Melhor Quadrilha no Concurso da Rede Globo Nordeste. Portanto, temos que estar conectados sempre, pois temos nossos Temas, Músicas, Figurinos.

Neste ano a Programação Artística do Ciclo Junino do Recife, mais uma vez promoverá apresentações em polos descentralizados como acontece no carnaval. Em menor proporção, a pequena quantidade de polos ainda faz com que os moradores das regiões periféricas, quando não encontram alternativas de festejar em seu bairro, precisam se deslocar para o centro da cidade, onde os palcos trazem artistas populares do cenário da musical nacional. Infelizmente, grupos de música como trios pé de serra, cirandeiros(as), coquistas, bandas de pífano, grupos de dança como as quadrilhas juninas, os bonecos de perna de pau, o xaxado, além de manifestações como bacamarteiros, cavalo marinho, bumba meu boi, o reisado, os mamulengos e de São Gonçalo, continuam sendo desvalorizados. Os integrantes destes grupos não são remunerados de forma justa, as atrações consideradas de maior prestígio das mídias, levam consigo a maior fatia do bolo e o que resta é dividido entre os verdadeiros mantenedores da cultura do povo nordestino.

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