Ocupação Maria de Jesus reacende a luta por moradia

por: Gabriel Augusto / Fotos: divulgação/ MTST-PE

Ao lado do terminal integrado de passageiros do Barro, surgiu uma nova ocupação urbana, batizada com o nome de Carolina de Jesus, em homenagem a escritora negra de Minas Gerais cuja morte completou recentemente 40 anos. Iniciando com 300 famílias no dia 17 de fevereiro, a ocupação enfrentou a tentativa de desmobilização através do uso da força policial ainda nos primeiros dias, alcançando cerca de 1000 famílias acampadas desde então.

Construída pelas famílias do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto – MTST, a ocupação tem mantido um calendário regular de assembléias e atividades, reunindo centenas de pessoas e tomando as decisões sobre os rumos do movimento de forma coletiva nesses espaços. No dia 22 de fevereiro, o movimento estimou em 2000 pessoas a quantidade de participantes na assembléia.

Os incríveis números que a ocupação Carolina de Jesus apresenta em quantidade de famílias ocupantes e participantes nas assembléias não são por acaso. A Região Metropolitana do Recife é a que possui o maior déficit habitacional  de todo o Nordeste, estimado em 131 mil habitações que faltariam para suprir este déficit. Com a crescente demanda por habitação e o valor cada vez mais alto de imóveis e dos aluguéis, as famílias tem procurado uma maneira se assegurar o direito básico a moradia.

No entanto, a luta pela moradia tem encontrado dificuldades. A primeira delas foi a tentativa de remoção dos primeiros dias, que encontrou a resistência da ocupação. Já no dia 21 de fevereiro, o MTST saiu em ato para a secretaria de habitação de Pernambuco e sofreu forte repressão em seu ato, provocando ferimentos em diversos manifestantes. Além disso, 20 pessoas que participavam da manifestação foram detidas, tendo sido negado a elas inclusive o acesso a advogados. Paralelamente a isso, viaturas do GATI se dirigiram a ocupação no Barro. No entanto, em audiência de custódia realizada no dia seguinte, a justiça, reconhecendo a improcedência das detenções, liberou todas as pessoas detidas.

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Mesmo enfrentando essas e outras dificuldades próprias de uma ocupação, a Carolina de Jesus segue firme ao lado do Terminal do Barro. Através da página do facebook MTST Pernambuco é possível obter maiores informações sobre a sequencia do movimento, a programação diária da ocupação e como é possível contribuir com a mesma. Foram solicitadas pelo movimento através da página doações para a cozinha, para a recreação das crianças e para os mutirões de organização. Trata-se de mais um capítulo da luta por moradia na região oeste do Recife.

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