O Urso Aranha de San Martin

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Da festa nas ruas de San Martin aos campos de várzea. O clube Urso Aranha começou como um bloco carnavalesco, mas todos na diretoria gostavam de futebol e viram no campeonato de várzea participativo, organizado pela Prefeitura, uma oportunidade de montar um time e promover mais uma atividade que movimentasse a comunidade.

O clube Urso Aranha, já como time de futebol, começou a participar dos campeonatos em 2006. No começo foi difícil. Não tinha estrutura, nem apoio, e os outros clubes que existiam tinham já uma estrutura já bastante consolidada. Era praticamente impossível vencer não fosse a presença de um componente essencial: a força da torcida.

“No começo tinha uma estrutura mais de pelada no nosso clube. Então, muita gente desacreditava no nosso time. Mas com o tempo, fomos mostrando nossa força, por conta do povo se juntava para apoiar. Os outros, mais famosos, não levavam tanta gente como a gente levava. Levava mais pela animação que eles conseguiam levantar”, conta o presidente do Clube, Carlinhos de San Martin.

Com esse apoio, os craques do time, formado principalmente por jovens da comunidade, conseguiram ser campeões do torneio da RP5. “Fomos jogando o campeonato. Nos dois primeiros anos foi difícil para a gente, porque os outros times tinham uma estrutura muito boa. Isso dificulta para quem está começando. Nenhum time daqui tinha chegado a ser campeão da RP5. O primeiro foi o nosso. Os campeões sempre eram da Mustardinha ou da Torre. E a agente conseguiu quebrar isso em 2008”, explicou Anderson Ferraz, um dos diretores do time.

E, com o time crescendo no campeonato a torcida foi se empolgando. Nas partidas decisivas, cerca de 500 pessoas foram torcer pelo Urso Aranha. “O grupo da gente tava tão forte que a gente saiu na revista de Torcida, que fala sobre o campeonato pernambucano. Fizeram uma matéria com a gente destacando nossa torcida. Quando fomos decidir a final com o Real da Mustardinha, em 2008, levamos mais de quatro ônibus, mais de vinte carros cheios de torcedores”, lembra Carlinhos de San Martin.

Depois da conquista, foi uma grande festa na proximidade da rua Professor Sílvio Cunha dos Santos, onde fica localizada a praça, em que a diretoria do clube costuma se reunir. “Aqui ficou lotado de gente. Esse movimento é difícil de ver nos outros clubes. Você pode perguntar quem é que levava torcida animada pra esses campeonatos. Com certeza vão te dizer ‘Urso Aranha’”, diz Anderson Ferraz.

Descaso – Infelizmente, nem tudo é gloria no futebol de várzea. E para os clubes o principal adversário parece ser a falta de investimento. Isso porque a estrutura de um clube não é simples, é algo difícil de manter. “O campeonato é muito bom porque envolve mesmo a comunidade, mas para quem está organizando as atividades do clube é muitas vezes uma dor de cabeça”, reclama Carlinhos de San Martin.

As dificuldades não são poucas. Os jogadores geralmente são jovens, alguns estão desempregados e precisam de uma ajuda financeira para participar dos campeonatos.  Tem também a questão do transporte para levar os jogadores aos locais onde as partidas são realizadas.

“A situação de falta de apoio é tão grave que não temos condições nem de manter uma sede para o clube. Então, hoje não vejo esse campeonato da prefeitura como um trabalho social. Vejo mais como uma apresentação de Prefeitura. Há um grande marketing, mas em termos de estrutura para fazer os times andarem”, lamenta Carlinhos.

“Fizemos um projeto para a revitalização do campo dos Caducos. O projeto foi aprovado, mas a Prefeitura nunca levou para a frente. Hoje, somos nós e as pessoas dos outros clubes que temos que cuidar do campo”, conta Carlinhos.

Além disso, o clube não é só futebol. O Urso Aranha, através dos diretores, promove também ações sociais como distribuição de cestas básicas, cursos profissionalizantes e preparatório para concursos, além escolinhas de futebol – ações que ajudam a melhorar a vida da comunidade. Mas nem para isso há apoio. ““Antes, a Prefeitura nunca ajudou financeiramente, mas ajudava com material, quando nós fazíamos trabalhos sociais. Agora nem isso”, afirma Anderson Ferraz.

Por conta desses problemas, os diretores do clube já pensam em não participar mais das competições da prefeitura na categoria “aberto”. “Por conta desses custos, só teremos condições de competir na categoria de veteranos. Isso é algo que acontece, infelizmente, não só com a gente, mas também com outros times da região.

Campeonato de Várzea – No Recife, campeonatos de futebol de várzea vem sendo promovidos oficialmente há pelo menos 16 anos pela Prefeitura. A disputa acontece da seguinte forma: primeiro, os times de cada Região Político-Administrativa (RPA) disputam entre si. Depois ocorre um mata-mata entre os vencedores de cada RPA.

A Zona Oeste está representada por equipes nas RPAs 5 e 6. Os Jogadores geralmente são recrutados nos próprios bairros. Mas também rola aquela negociação típica do mercado da bola (em proporções menores, claro) para ver quem vai para que time. A competição acontece nas categorias: aberto, feminino e veterano.

O nome das equipes é também algo muito bom dessas competições, que permite uma peculiar abertura para o humor. Já passaram pelo campeonato o Urso Aranha, Palhaçada, Brazinha, Os Loucos Club da Vila, Barrigudo, Chá de Boldo, Guti Guti, Flamenguinho, entre outros. Os jogos, na zona oeste, acontecem nos campos do Caduco, da Marinha, do Rodoviário e do Jiquiá.

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