O transporte público da região oeste

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por: Renata Albertim| Fotos: Bruno Alves

Um dos direitos fundamentais de qualquer cidadão é o de ir e vir. No entanto em alguns locais da cidade do Recife, as pessoas não tem conseguido ver esse direito sendo respeitado de maneira satisfatória, principalmente quando são usuários do transporte público. Para entender melhor os problemas que continuam preocupando a população que reside na Região Oeste do Recife, o Jornal Infornativo circulou em 5 bairros (Cordeiro, Bongi, Mustardinha, Mangueira e San Martin) para saber dos moradores o que eles acham sobre o serviço de transporte público.

Não é de hoje que o leitor deste jornal acompanha as matérias, que sugerem o debate sobre os problemas de mobilidade urbana da região onde atua. A má locação e conservação da infraestrutura das paradas de ônibus, o baixo quantitativo de algumas linhas, o péssimo atendimento por parte de alguns motoristas e cobradores e o valor alto das tarifas, são apenas algumas das reclamações mais frequentes, que os gestores do “Grande Recife Consórcio de Transporte” continuam fazendo vistas grossas.

Usuárias de transporte que moram próximo do Terminal da Mustardinha, localizado na Rua Vinte e Um de Abril, relatam as dificuldades que enfrentam diariamente: “- Depois que a parada de ônibus mudou de lugar, parece que piorou”, afirmou dona Helenilda, de San Martin. A moradora disse que a mudança de local das paradas e a quantidade de ônibus que ficam estacionados na “faixa da direira” onde o meio fio é pintado de amarelo, fez com que o trânsito piorasse, consequentemente, aumentando os acidentes. Ela continua: “- Aqui, quase todo dia tem um batida de carro, um acidente com motoqueiro e com quem anda de bicicleta”.

Maria, usuária das linhas Mangueira e Mustardinha, concorda com Helenilda e acrescenta: “- O semáforo abre e fecha muito rápido, demora poucos segundos aberto, isso dificulta para a gente atravessar a rua, principalmente as crianças quando largam das escolas”. O desejo delas é que o Terminal da Mustardinha, seja transferido para perto, de preferência no terreno baldio da antiga Lagoa da Boa Ideia: “- Tem no projeto (planta) da prefeitura e tudo mais, mas os políticos vieram aqui só fazer promessas. Faz muito tempo que a gente espera a construção dessa praça e do terminal pra ver se muda a vida da gente”.

Outro ponto da região que as reclamações são constantes, é o Terminal dos Micro-ônibus da linha San Martin sentido Shopping Center Recife. Há anos que os moradores criticam a locação desta linha. O terminal é arrodeado de residências e os moradores além de se queixarem da poluição sonora, também chamam atenção para o que é mais grave: os motores jogam no ar, uma fuligem que satura o ambiente dentro das casas mais próximas. Levadas pelo vento, a fumaça pode causar danos a saúde desses moradores a medio e longo prazo, caso continuem a inalar a fuligem que é imperceptível a olho nu.

As reclamações não param por aí, Davi, morador do bairro de Jardim São Paulo, que utiliza o os micro-ônibus no seu dia-a-dia, ligou para nossa redação e foi mais a fundo a citar alguns problemas que acontecem dentro dos coletivos, durante as viagens: “-A má educação dos motoristas e cobradores dessas linhas é um absurdo”.

Segundo Davi os cobradores quase sempre não tem o troco e ainda são ríspidos quando os passageiros reclamam. Já a lista de queixa sobre os motoristas é maior: dirigem rápido, fazem manobras arriscadas colocando a vida dos usuários em situação de risco e ainda queimam as paradas, prejudicando a todos que precisam daquela linha para chegar pontualmente nos seus compromissos.

“- Normalmente os motoristas justificam a queima de parada, por estarem com a lotação dos acentos no limite ou por ter outro ônibus da mesma linha vindo em seguida. Mas na maioria das vezes, a segunda opção só aparece horas depois”.

Dentre tantas reclamações, o Terminal do Bongi, próximo a Secretaria de Saúde de Pernambuco, é considerado pelos moradores um bom exemplo. Visto que a localização e organização está bem à frente da citadas na matéria.

Outro problema a parte, são as pontos de ônibus comuns da Caxangá. Com a chegada dos BRT’s, chegaram também as lamentações sobre as infraestruturas, a população que utiliza transporte público naquela região afirma que o transito piorou, principalmente para quem precisa pegar os ônibus das linhas “comuns”. No ponto de vista de Eduardo, morador do Cordeiro, “- As paradas estão locadas de forma errada, estão muito próximas as entradas das ruas”, além da falta de proteção. Eduardo afirma que as antigas paradas de ônibus tinham marquises que protegiam os usuários do sol e da chuva. Após transferirem os pontos para o lado direito da Avenida Caxangá, quem precisa do ônibus comum, também saiu perdendo no quesito conforto: -“Agora para se proteger do sol ou da chuva, temos que ficar dentro das lojas, porque a segunda opção é ficar no meio da calçada tendo que desviar e ser desviado pelos pedestres que circulam para os dois lados”.

O serviço de transporte público não acompanhou com melhorias o reajuste dos novos valores das passagens de ônibus, em Janeiro deste ano, no Recife e Região Metropolitana. Os passageiros não se sentem satisfeitos com a qualidade e limpeza dos ônibus que utilizam diariamente e afirmam que os ônibus estão, na sua grande maioria, quebrados, pixados e as vezes com quase nenhuma condição de uso.

A promessa da Tarifa Única feita pela Governador Paulo Câmara, durante sua campanha eleitoral de 2014, ainda está viva na mente dos passageiros da Região Metropolitana. Taciana, passageira do ônibus CDU/ Caxangá/ Boa Viagem e de Torrões, afirma que  “- Os ônibus poderiam ter uma melhor qualidade e cada linha devia ter uma frota maior”, fazendo com que a frequência de cada linhas aumente, diminuindo o tempo de espera. A passageira completa dizendo que se a Tarifa Única existisse iria ser muito melhor sua volta do trabalho para casa. “- Se eu pegasse apenas um ônibus para voltar para casa não teria tanto problema, mas se fizer isso, tenho descer numa parada escura e esquisita. Por questão de segurança, eu prefiro pegar dois ônibus, no entanto tenho que gastar duas passagens”.

Tendo em vista as últimas ocorrências de estupros urbanos, principalmente em paradas de ônibus e de metrôs, essa é uma preocupação das mulheres. “- Se a Tarifa Única existisse, talvez fosse um jeito de proporcionar às passageiras, uma maior segurança a transitar em nossa cidade, já que teríamos como escolher linhas que nos favorecessem”.

Melhorar a qualidade dos transportes públicos é um passo fundamental para a melhoria da qualidade de vida de quem mora ou visita a Cidade do Recife. O Plano de Mobilidade, que tem a missão dar prioridade ao transporte público de passageiros, adaptar as vias para os transportes coletivos para cobrir toda a cidade, na região Oeste tem se deparado com dificuldades diárias. Os casos destacados nesta matéria não podem ser encarados apenas como um fato isolado dos principais corredores da região. É preciso continuar reivindicando e buscando soluções.

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