O JOCKEY CLUB DE PERNAMBUCO

por: Rafael Eduardo| Fotos: Osvaldo Morais

Soa uma sirene. Esse é um sinal de largada e em instantes, os cavalos começam a dar a volta em uma raia de corrida. O locutor começa a narrar rapidamente, tentando acompanhar a velocidade dos equinos.  As ações narradas nesse parágrafo acontecem no Hipódromo da Madalena, uma grande área na zona oeste do Recife que, há pelo menos 76 anos, vem servindo à prática de um esporte muito tradicional: o turfe.Com uma grande extensão de aproximadamente 32 hectares, situada entre as Ruas Carlos Gomes e Gomes Taborda (Rua da Lama), o hipódromo tem mantido a tradição do esporte, com a gestão do grupo Jockey Club de Pernambuco.

As corridas são  espetáculos de potência e velocidade. Nos páreos, é possível ver toda a performance dos cavalos premiados e seus Jockeys (os cavaleiros que conduzem o animal até a linha de chegada). Muitas vezes, a disputa é definida em milésimos de segundos.

É essa tensão gerada pela competição que ainda atrai muitos entusiastas do esportes, para os eventos que ocorrem, em geral, quinzenalmente. “Eu venho desde criança. Para mim, a principal qualidade do turfe é essa emoção da disputa”, conta Sergio Santana, que hoje é proprietário de cavalos, no Jockey. “Também tem a satisfação de acompanhar o desenvolvimento do animal e depois vir conferir  desempenho na corrida”, afirma.

“O que me atrai mais é ver um cavalo no qual ninguém acredita acabar como vencedor. Gosto de ver essa superação e acho que isso acaba deixando a coisa mais emocionante. Só não tem chance o cavalo que ficou na cocheira. Todo cavalo inscrito tem chance”, diz Jonas Pereira, que acompanha as competições do turfe e já chegou a trabalhar na preparação de cavalos.

E claro que toda essa competição acaba movimentando um mercado de apostas, envolvendo apostadores locais e, inclusive, de outros estados. Antes dos páreos, se formam grandes círculos de apostadores. Eles ficam especulando sobre os possíveis resultados e decidindo sobre as estratégias de uma melhor aposta. Os lances oficiais podem ser feitas a partir do valor de R$ 2. É possível apostar no vencedor ou na exata  (o chute é feito com a combinação do resultado de dois cavalos). Cada cavalo paga um valor, que tem relação com suas chances de vencer a corrida (os cavalos com mais chances de vencer pagam um valor menor, os que tem menos chance, pagam mais).

Toda essa informação é importante, pois muita gente, que inclusive vive próximo ao local, não imagina que ainda haja a prática do Turfe na cidade, isso se reflete na pouca presença do público. “O Turfe no Brasil tem passado por uma serie de dificuldades, por questões financeiras, por ser caro manter os cavalos, e também porque não temos o mesmo espaço na mídia como tínhamos antes. Mas, mesmo assim, o Jockey Club tem mantido os esforços para que a prática do esporte e a tradição das corridas permaneça viva”, explica Francisco Mendonça, assessor de comunicação do Jockey Club de Pernambuco.

Alguns moradores da localidade também dão informações com relação ao processo que o Turfe vem passando. “A movimentação no Hipódromo vem diminuindo mesmo. Há trinta anos a gente via que era sempre casa cheia. Hoje, vemos poucas pessoas na arquibancadas”, conta Luiz Fernando de Lima, que é morador do bairro do Prado a 63 anos e ainda acompanha as corridas.

Mas os grandes entusiastas do esporte ainda acreditam no potencial de atrair novos admiradores do turfe. “Eu lembro que na década de 80, vinha mais gente mesmo. Ficava lotado todo fim de semana. Hoje temos menos gente nas corridas regulares, mas quando é dia de grande prêmio, fica cheio de gente, como antigamente”, comenta Sergio Santana.

“Quando é dia de grande prêmio, gente que passa o ano todo sem vir acaba aparecendo. Geralmente, tem muita expectativa em torno dessa disputa”,  completa Jonas Pereira.

Os GPs dos quais falam os entrevistados são competições mais disputadas, promovidas pelos o Jockey Club de Pernambuco. Os principais são o Prêmio Manoel Medeiros,o Edísio Pereira, e o maior e mais esperado: o Bento Magalhães, o Bentão, que acontece sempre no mês de dezembro, sendo promovido desde o ano de 1964 (em homenagem ao Cel. Bento Magalhães foi um dos grandes incentivadores do turfe pernambucano). Nesse momento, Recife se torna a capital nacional do Turfe.

Popularização – De acordo com Francisco Mendonça, para romper com esse processo de diminuição do público, o Jockey Club de Pernambuco faz uma série de investimentos para manter a movimentação no local. Um desses esforços é a escolinha de jockeys, desenvolvida desde a década de 90.

“É uma chance para os jovens, inclusive dessa comunidade próxima, de se tornar jockey e seguir carreira. Nós tivemos pessoas formadas aqui que chegaram a competir internacionalmente, em países como Noruega. Hoje, temos quatro jockeys formados aqui que competem no Rio de Janeiro e dois que competem em São Paulo. Acreditamos que isso pode ajudar a popularizar e manter a prática do turfe”, afirma Francisco.

Os moradores da região apontam ainda outras atividades que servem para movimentar o espaço do Hipódromo da Madalena e, com isso, chamar atenção para o turfe. A principal atividade citada por eles foram os shows. O espaço já recebeu shows internacionais, como o da banda Iron Maiden, em 2009, e da banda Black Eyed Peas, em 2010.

“Eu acho também que, nas corridas regulares, deveriam aumentar o numero de cavalos, deixando os páreos mais disputados. Acho que isso iria estimular quem gosta das apostas”, opina Neilson Carlos, assíduo frequentador das corridas do Jockey.

De qualquer forma, a importância do Hipódromo da Madalena vai além das corridas. É um espaço que as pessoas deveriam conhecer, pois é um local com  muita área verde. A parte das cocheiras, que ficam por trás da pista de corrida, é repleta de árvores. Nem parece que está situada dentro de um lugar tão central e urbanizado. Parece um pedaço de cidade de interior cercada pelo caos da cidade grande.

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