No Jiquiá | O Jiquiá está em desenvolvimento?

Há exatamente um semestre não se tem notícias sobre o futuro do complexo empresarial e residencial Ecocity Jiquiá, que também prevê a construção do Shopping Metropolitano do Recife. O mega empreendimento deve ser edificado do lado oposto ao Parque Científico e Cultural Alberto Santos Dumont (Parque da Juventude), outra obra abandonada pela PCR, que já foi matéria da edição 43 deste jornal. O local onde parte do parque foi construído e o terreno onde o Ecocity e o Shopping pretendem se desenvolver é separado pela Avenida João Cabral de Melo Neto, via que corta o bairro do Jiquiá e liga bairros como San Martin e Jardim São Paulo, com acesso através das Avenidas Recife e General San Martin.

Diante de um empreendimento com tamanha proporção, onde os impactos iniciais permeiam o social, o ecológico e o econômico, o Jornal Infornativo permaneceu atento durante os 6 meses de imprevisibilidade, como afirmou a assessoria dos empreendedores do projeto, justificando via e-mail, o porquê da construção ainda não ter sido vista na prática.

Assim afirmaram: “A atual crise e seus impactos no setor imobiliário e principalmente, a falta de recursos para o MCMV – Minha Casa, Minha Vida – e o Auxilio Moradia está a inviabilizar o início dos projetos que dependem do remanejamento de famílias das margens do Rio Jiquiá e Canais de Drenagem da Cidade.

A PCR está sem dinheiro para o auxilio moradia dessas populações e a Caixa sem dinheiro para o MCMV – Faixa 1.

Além disso, o preço que vinha sendo pago às empresas construtoras para essa faixa do MCMV está defasado há mais de 2 anos, e o governo também não tem recursos para atualiza-lo, inviabilizando o programa”.

Lembramos que nas margens do terreno, encontramos as comunidades da Cabeça da Vaca e do Caxito que a mais de um ano, aguardam a formalização legal do termo de compromisso entre os empreendedores do Ecocity, a PCR e a comissão de moradores que representam as duas comunidades. Este termo foi redigido em comunhão das partes, onde determinaram sobre quais condições cada família compreende ser justa a desocupação das suas moradias.

Mas foi através de uma visita à comunidade do Caxito que algumas novidades começaram a surgir. Escutamos o relato de alguns moradores que disseram sobre um evento que a principio os surpreendeu, porque cogitou-se que se estabelecia a partir dali, um ato desrespeitoso por parte dos empreendedores, contra as famílias que residem nas margens do terreno a espera do cumprimento das promessas previstas no termo em questão. Mas tudo não passou de um susto! Moradores do entorno da Praça do Caxito dizem ter acordado ao som do motor de um caminhão e de uma escavadeira, e assustados correram para o local. Lá presenciaram o inicio do processo de demolição de um prédio que instalou-se em parte do terreno no campo do Jiquiá. Muitos achavam que ali seria um espaço a ser utilizado como centro comunitário, mas de acordo com os vizinhos do prédio, alguns compartimentos estavam sendo oferecidos para aluguel.

Os entrevistados, não dão muitos detalhes, mas disseram que no momento da demolição, presenciaram um bate boca entre os proprietários do terreno invadido e o responsável pela construção do prédio, sob vigilância de unidades da polícia militar e de promotores da justiça que com a ordem de reintegração de posse em mãos, autorizaram a demolição na manhã do dia 17/02/2016.

Algumas paredes ainda continuam erguidas e segundo a assessoria do empreendimento, elas ainda não foram removidas porque podem comprometer a estrutura das residências vizinhas. A assessoria ressalta a importância de manter a calma no aguardo do início da primeira fase de construção, e sinaliza que o pagamento do aluguel social das primeiras 160 famílias do Caxito, só será possível para os que mantiverem seus imóveis com estrutura idêntica à planta cadastrada no programa habitacional da PCR, quando receberam a visita de agentes da prefeitura a cerca de dois anos atrás.

A assessoria do Ecocity aproveitou o espaço para nos informar sobre o licenciamento e registro do primeiro lote do terreno em cartório, publicado no Diário Oficial do Estado de Pernambuco no dia 16 de abril de 2016. Etapa que dá autonomia e legitimidade ao processo de construção na Gleba AB-2, com área total de 449.497,61m2.

Sabendo deste avanço no processo de licenciamento do terreno, que se arrasta a passos lentos, Jaqueline da comunidade Cabeça de Vaca refletiu sobre o que espera: “ Nós queremos os empregos. Essa crise econômica deixou muita gente daqui, desempregada. Uma construção desse tamanho, pode empregar o povo dessa comunidade e depois tem as lojas do shopping e outros serviços. Mas parece que não é do interesse de quem administra a cidade. Veja quantos assaltos e violência por ai! Se tivesse emprego pra todo mundo, com certeza não morria tanta gente por se envolver com coisa ruim.”

João Neto, leitor do Infornativo e morador de San Martin, também se pronunciou sobre a questão dos empregos e foi além: -“Os empreendedores prometem empregos, mas o impasse maior é que as pessoas  precisam  sair para o desenvolvimento chegar. Este filme já vimos na Vila Oliveira no Pina, com a construção do Rio Mar, em Camaragibe para se construir o terminal de ônibus e em outras inúmeras ações de despejos pra dar lugar a grandes obras no Recife. Como fica quem já vive ali há muitos anos, o que se deve fazer? A prioridade não seria a construção de casas decentes para os moradores que serão prejudicados? Então como lutar por uma cidade justa e igualitária para todos, se as políticas invertem as prioridades e não beneficam os seus cidadãos?”

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