O HMR para além da propaganda

por: Rafael Eduardo| Fotos: Osvaldo Morais

O Hospital da Mulher do Recife (HMR) Dra. Mercês Pontes Cunha, localizado no bairro do Curado, zona Oeste do Recife, é um dos trunfos da campanha do candidato a reeleição, Geraldo Julio (PSB).

E não tinha como não ser. É o primeiro grande Hospital a ser administrado pela prefeitura e pretende ampliar a capacidade de atendimento aos pacientes da cidade em 40%.

Com construção iniciada em 2013 e investimentos na cifra de R$ 118 milhões, a unidade será referência, no município, para a realização de partos de maior complexidade e também para partos humanizados – aqueles em que a mulher dá a luz em uma banheira.

O hospital deve oferecer, ainda, 150 leitos, além de duas Unidades de Tratamento Intensivo (UTI), contando com 10 leitos para as mães e 10 para os bebês, e duas Unidades de Cuidados Intermediários.

Na parte clínica, serão oferecidas consultas com ginecologista, cardiologista, mastologista, hematologista e psiquiatra. O plano é também oferecer uma série de exames que ainda não eram ofertados pela rede pública do município. São realizadas na unidade tomografia , ressonância magnética, ultrassonografia e raio x.

A mãe também pode sair da maternidade já com o registro da criança, graças a um cartório, instalado no local. O HMR também deve oferecer tratamento especializado para a população LBT (lésbicas, bissexuais e transsexuais).

Com todos benefícios, o HMR já colhe elogios do público. “Aqui consegui atendimento rápido e não tinha isso antes. Em pouco tempo, já tive consulta com ginecologista  e reumatologista”, conta Cleudes Araujo, moradora do bairro de San Martin.

Mas nem tudo são flores na iniciativa pública, sobretudo se tratando de empreendimentos de grande porte no campo da saúde. Críticas importantes já começam a ser feitas pelas usuárias da unidade. Esse é um lado da história que não aparece na campanha de Geraldo Júlio.

 - É a própria Cleudes, que elogiou a eficiência do local,  quem faz a denúncia em relação a um problema sério. O acesso ao hospital é difícil para muitas pacientes e o caminho é considerado perigos por elas.

“Eu acho que esse hospital não foi pensado para quem anda de ônibus. Para chegar aqui eu tenho que pegar um metrô e um ônibus, isso porque tenho a sorte de morar próximo da estação metrô. Quando eu chego aqui ainda tenho que andar um trecho longo, porque o portão fica longe da parada de ônibus. Eu vou com medo porque é um trecho que tem muito risco de assalto”, reclama Cleudes.

Na volta para casa, o problema ainda continua.”Para voltar, eu tenho que atravessar a BR pela passarela para pegar o ônibus. Várias vezes eu observei senhoras idosas e gestantes fazendo um grande esforço e correndo risco para fazer essa travessia”, lamenta.

As dificuldades e a sensação de insegurança já vem desestimulando a procura por tratamento na unidade. “Eu achei esse um lugar muito esquisito, principalmente quando temos que sair daqui a partir das 17h . Já desaconselhei minha irmã a vir fazer tratamento aqui, porque, desse jeito nem parece que é um hospital feito para mulheres”, disse Ivanise Maria, moradora do Barro. As usuárias da unidade defenderam, então, a necessidade da abertura de um portão mais próximo à parada de ônibus.

“Um grande problema é mesmo esse caminho até o portão. O caminho fica perto a um matagal. Então, tem muita possibilidade de assaltos e até de estupros. Por isso, estamos reclamando, pois caso contrario o problema fica esquecido e nós ficamos sofrendo”, reclamou Ivanise.

Demora - A longa espera pelo atendimento é problema frequente em todas as unidades de saúde pública (e privada também) e no HMR não foi diferente. Na visita ao local, a reportagem do Infornativo encontrou várias mulheres impacientes com a demora.

“Geralmente as consultas da minha filha são marcadas para o meio dia, mas ela só chega a ser atendida mesmo perto das 3h da tarde. Isso dificulta muito nossa vida porque temos que nos organizar para almoçar por aqui”, relata Andréa Carla. A reportagem ouviu queixas quanto a demora tanto na parte de consultas quanto na emergência.

Comércio - Com o inicio das atividades do Hospital, já aparecerem comerciantes em frente ao HMR, vendendo principalmente alimentos.

Segundo as comerciantes, a prefeitura, através da secretaria de mobilidade e controle urbano, prometeu dar a estrutura para a montagem de barracas, mas até agora nada.

“Essa foi uma promessa feita desde o início, mas parece que eles não estão dando importância. Está sendo difícil para nós trabalharmos assim, porque passamos mal por causa do calor e também levamos chuva aqui. Desse jeito, vamos acabar tendo que usar os serviços do hospital”, informa uma comerciante que não quis se identificar.

Respondendo às críticas em relação ao funcionamento da unidade, a Prefeitura do Recife alega que as dificuldades se dão porque os serviços estão sendo implantados paulatinamente.

O Hospital da Mulher do Recife é uma importante referência para tratamentos de saúde, principalmente das pessoas que moram na Região Oeste. É importante, então, que cada cidadão não se limite apenas a acreditar na propaganda eleitoral e passe a fiscalizar a evolução da Unidade de Saúde.

O HMR está localizado Rod BR-101, s/n – Curado, Recife, fone: (81) 2011-0100. Para ter acesso a consultas e exames da unidade é necessário conseguir encaminhamento em postos de saúde. É possível ter atendimento na emergência para pessoas domiciliadas no Recife.

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