O encontro de sanfoneiros do Recife

por: Julie Marques / Fotos: Arquivo Nosso Quintal

Dezembro é o mês das comemorações natalinas e de fechamentos do ano, mas no dia 13 desse mês é celebrado por sanfoneiros e amantes da cultura tradicional nordestina o nascimento do rei do baião Luiz Gonzaga. Há quase 20 anos, a data é a ocasião perfeita para o Encontro de Sanfoneiros do Recife. Este ano, a 19ª edição desta celebração aconteceu em dois dias de eventos, em San Martin e no Teatro Santa Isabel.

No dia 13, foram reunidos mais de 30 sanfoneiros e outros músicos na Praça da Amizade, próxima à Chesf, no bairro de San Martin. Esta é a comemoração do aniversário de Luiz Gonzaga que acontece todos os anos, começando às 6 horas com um café da manhã coletivo, seguido por uma maratona de shows de forró e ritmos tradicionais que este ano durou até às 8 horas da noite. Um dos músicos que esteve presente foi Arlindo Moita, de 73 anos, cantor, percussionista e sanfoneiro desde a adolescência, que participa do Encontro de Sanfoneiros há 15 anos. “Eu venho participando desde a quarta edição para cá, esse evento é um ponto de referência forte para a cultura, e que acontece todo ano, sem deixar a corda partir”, diz Moita, que é um dos maiores intérpretes da obra de Jackson do Pandeiro e compositor de forró, e vai lançar o sétimo disco em meados de fevereiro.

Já no dia 14 de dezembro, a noite foi de forró e choro num grande show que aconteceu no Teatro Santa Isabel, um dos mais belos teatros do país, reconhecido como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1949. A ocasião reuniu duos que misturam os dois ritmos, com instrumentos que representam cada um, como o duo de Marco César no bandolim e Beto Hortis na sanfona.

O realizador do evento, Marcos Veloso, explica a proposta: “estes duos tem a sanfona, que representa o baião, e o bandolim e o violão representando o choro, por causa de Luiz Gonzaga, que é conhecido como o rei do baião, mas que começou com o choro. É uma grande confraternização sanfônica, e todos os ingredientes que fazem parte da obra de Luiz Gonzaga são bem vindos”. Além dos três duos de baião e choro, houve também a apresentação do grupo Chorinho do Nosso Quintal, que conta com a participação de Chocho, que tem 92 anos e compõe e toca choro há 70 anos, e dentre as participações especiais estiveram a cantora Juh Lopes, Arlindo Moita e Paulo Henrique dos Oito Baixos. A homenageada da noite foi Joana Angélica, cantora pernambucana que já participou de muitos conjuntos de forró, e por muito tempo foi vocalista da banda do Mestre Camarão, grande sanfoneiro falecido em abril de 2015.

Marcos Veloso é produtor cultural e organiza o Encontro de Sanfoneiros todos os anos, desde 1997. Ele é dono do restaurante e espaço cultural Nosso Quintal, onde acontecem rodas de sanfona e rodas de choro nos finais de semana, num esforço de manter a cultura tradicional em atividade, e formar novos músicos, como é o caso de Thiago Gonçalves, que tem 18 anos, e começou a aprender sanfona aos 11 anos, quando começou a frequentar as rodas de sanfona. “Eu comecei a vir porque um colega me chamou, tinha o palcozinho, e aí um dia eu pedi para dar uma palhinha, e a partir desse dia eu comecei a participar dos encontros”, diz Thiago, que por causa do amor descoberto pela sanfona entrou no Conservatório de Música aos 13 anos, e hoje participa de grupos de forró e toca em bares da cidade.

Deixe uma mensagem