O Centro Social Urbano da Mustardinha foi abandonado pela prefeitura.

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por: Rafael Eduardo| Fotos: Osvaldo Morais

Até meados dos anos 80 e 90, o espaço conhecido como Centro Social Urbano (CSU) da Mustardinha abrigava pontos de comercio, como sorveterias e padarias, além de servir como local onde eram oferecidas capacitações profissionais e outros serviços públicos.

“Tinha curso de funilaria, marcenaria, empalhamento de cadeira, estufamento de sofá, e, nos últimos anos, até cursos de computação”, lembra o vigilante Reginaldo de Melo, que trabalha no CSU há trinta anos.

No espaço do centro, ainda eram ofertados serviços de saúde, como consultas com médico e dentista. Mas essa é uma realidade que ficou no passado.

Quem visita o CSU da Mustardinha hoje pode ver a imagem do abandono. Há lixo espalhado por todo o espaço, o mato crescido toma conta de uma grande parte do terreno, onde também se pode ver restos de construção deteriorada.

O caso se agrava ainda porque está situado no local o casarão, que pertenceu a Manoel Andrade Mustardinha, considerado patrimônio histórico e marco para a fundação do bairro.

A situação do casarão não está diferente do restante da estrutura. Paredes apresentam rachaduras, muitas portas e janelas estão danificadas.

O abandono é tanto que nas partes da parede onde há rachaduras começaram a crescer arbustos, indicando que há infiltrações na construção.

Há também no local outro equipamento em estado de deterioração: a quadra. Pontos com rachadura podem ser vistos igualmente nesse espaço e a área onde acontecem os jogos não está pintada.

“O estado da quadra e dos outros equipamentos era de se esperar. A ultima reforma de manutenção que me lembro foi no ano de 1988”, conta Samuel Souza, um dos moradores do bairro que vem lutando pela melhoria do CSU.

O terreno de mil metros quadrados pertence ao Governo do Estado, mas desde meados dos anos 2000 está sob responsabilidade Prefeitura do Recife.

Segundo os moradores do bairro, sempre que são questionados sobre os investimentos necessários para melhorias no local, os gestores alegam falta de verba.

“Aqui poderia ser um espaço de cultura. Lembro que antigamente tinha festas muito boas de São João”, opina o vigilante Reginaldo de Melo.

“Poderia também se transformar em unidade de saúde ou de qualificação de pessoas”, afirmou o representante do Conselho Comunitário da Mustardinha, Daniel Cândido, em entrevista ao Jornal Folha de Pernambuco.

Fato é que movimentar o espaço do CSU da Mustardinha seria de grande importância para a vida social do bairro, mas sem investimentos públicos essa se mostra uma tarefa difícil.

Apesar dessa dificuldade, os moradores ainda lutam para promover ações no local.

Há atividades como aulas de futebol, vôlei, artes marciais, frevo, cultura hip hop, reuniões dos Alcoólatras Anônimos (AA), e até apresentações de moto, que acontecem na quadra.

Também são oferecidos cursos profissionalizantes como marcenaria e carpintaria, mas que tem tido, no entanto, baixa adesão.

“Acredito que pelo aspecto de abandono do local as pessoas desistam de fazer um curso aqui. Esse curso de marcenaria passou três meses sendo oferecido mas poucas pessoas mostraram interesse”,  disse um trabalhador da localidade, que não quis se identificar.

Segundo ele, sempre aparecem ideias sobre o que fazer com o espaço do CSU Mustardinha, mas estas nunca saem do papel.

“Ultimamente tem-se falado em colocar a feira do bairro para funcionar parte aqui dentro, mas até agora nada”, reclamou.

Tudo isso acaba gerando a indignação dos moradores do bairro. “O CSU está péssimo. Tudo demolido e, desde criança, nunca vejo ninguém do governo fazer nada. Quando tem reparos na quadra somos nós mesmos que fazemos. É lamentável”, reclamou Vitor Ferreira.

CSU – Os Centros Sociais Urbanos são espaços públicos criados nacionalmente com o propósito de promover ações de cidadania, atendendo populações dos bairros periféricos de grandes cidades e de municípios do interior.

Essas ações incluíam, principalmente, atividades de lazer e bem-estar, de capacitação profissional, além de campanhas para saúde, erradicação da fome e da pobreza.

No ano de 2014, outro CSU foi alvo de uma matéria do Infornativo, o de San Martin. O equipamento apresentava os mesmos problemas da Mustardinha.

A deterioração e falta de gestão do espaço dificultavam a realização de atividades.

“Infelizmente essa é uma tendência geral. Os governantes parecem entender que os CSU não atendem às necessidades deles, então há o sucateamento”, afirmou Samuel Souza.

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