O 18 de Maio é dia da Luta Antimanicomial

por: Núcleo  Estadual de Luta Antimanicomial – Libertando Subjetividades/ Fotos: Osvaldo Morais

dia 18 de Maio e considerado o Dia Nacional de Luta Antimanicomial. A Luta pela extinção dos manicômios no Brasil teve início no fim da década de 1970, quando trabalhadores de hospitais psiquiátricos do Rio de Janeiro denunciaram os maus tratos e tortura a que eram submetidos os pacientes de tais instituições. Fome, frio, violência física e psicológica, excesso de medicação, exclusão social e ruptura de vínculos familiares são algumas das situações denunciadas pelos profissionais naquela época, e que se reproduziam em todas as instituições psiquiátricas Brasil a fora. Durante anos no Brasil, a internação psiquiátrica era a única forma de tratamento para pessoas com transtornos mentais e que fazem uso abusivo de álcool e drogas. A partir da denúncia dos trabalhadores cariocas, outras denúncias surgiram no Brasil, e durante as décadas de 1970, 80 e 90 houveram muitas discussões em congressos, seminários, e também nos poderes legislativos para se repensar o modelo de tratamento para essas pessoas, que não se baseasse na exclusão e na violência.

A partir de 2001, com a aprovação da Lei Federal 10.216 e em 2011 da portaria 3.088, que orienta o fechamento de todos os leitos psiquiátricos no país, e que obriga estados e municípios a oferecerem uma Rede de Atenção Psicossocial de base comunitária e que tenha como premissa básica respeitada a liberdade, a cidadania e autonomia dos sujeitos. A Rede de Atenção Psicossocial e composta por servicos como Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Centros de Convivência, Residências Terapêuticas, Unidades de Acolhimento para usuários de drogas, Leitos em hospitais gerais para pacientes em crise.

Pernambuco avançou muito no fechamentos dos leitos psiquiátricos, em 2010, fechamos aquele que foi considerado um dos maiores hospitais psiquiátricos do país, o Hospital José Alberto Maia em Camaragibe, local de sofrimento e exclusão para muita gente. Hoje os antigos pacientes vivem em Residências Terapêuticas espalhadas por todo o estado, com o apoio dos CAPS dos municípios, e muitos puderam retornar para seus lares. Ainda há muito a ser feito, alguns hospitais psiquiátricos ainda em funcionamento tem urgência em serem fechados, muitos municípios não conseguiram implantar servicos substitutivos com êxito, e muitos usuários e familiares ainda sofrem para conseguir o tratamento adequado. Porém a Rede se fortalece a cada dia e a sociedade parece compreender melhor que “a liberdade é terapêutica” (como disse o psiquiatra italiano Franco Basaglia) e enxerga a importância de acolher os diferentes.

Em 2016, Recife fechou as portas de todos os hospitais psiquiátricos da cidade, permanecemos apenas com o Hospital Ulysses Pernambucano (o Hospital da Tamarineira), que, contraditoriamente, é onde ainda funciona a única emergência psiquiátrica de Pernambuco. A cidade conta com 17 CAPS. Assim como acontece no resto do estado, Recife mantém uma rede que necessita de melhorias na infra-estrutura, da abertura de mais servicos, de mais profissionais para compor as equipes. Além disso tudo, a gestão fez a opção de terceirizar os serviços, deixando a cargo de Organizações Sociais e gestão e contratação de profissionais, o que precariza as relações e fragiliza o trabalhador.

Nos bairros de Afogados, Jardim São Paulo, Cordeiro, Ipsep e Iputinga são encontrados servicos que realizam tratamento para pessoas com transtornos mentais e que fazem uso problemático de Álcool e outras Drogas. Também temos espalhadas nestes bairros diversas Residências Terapêuticas, que são casas onde residem de 8 a 10 ex-pacientes de hospitais psiquiátricos, onde agora eles podem viver em sociedade, fazer suas escolhas, comprar o pão, visitar parentes, assistir a TV. Coisas simples que lhes foram tiradas durante anos e que agora eles estão reaprendendo a fazer.

Nós precisamos reaprender também que a cidade e de todos, que as pessoas são diferentes e que a loucura e apenas mais uma forma de comportamento e de manifestação. A  exclusão não pode ser nossa única resposta para isso, afinal a Liberdade é Terapeutica e a cidade é de todos e todas!

Entre os dias 11 e 18 de Maio, o Núcleo Estadual de Luta Antimanicomial Libertando Subjetiviades estara promovendo em Recife uma série de atividades propondo a discussão sobre o tema. Haverá Roda de Conversa, Cine-Debate, Seminário, culminando com o Ato no dia 18/05, que será uma caminhada saindo do Derby, a partir das 8h. Mais informações vocês podem encontrar na página do facebook “Libertando Subjetividades”.

Deixe uma mensagem