Na feira livre de novos e usados

por: Gabriel Augusto / Fotos: Osvaldo Morais

O mês de dezembro chegou e uma das principais repercussões na economia é o aumento do consumo no comércio formal e informal. Estimuladas pela propaganda veiculada em jornais e televisões, as pessoas passam a consumir mais, as lojas ampliam seus horários e horas-extra e o comércio abre aos domingos em busca do 13º salário dos compradores. Longe deste circuito de fim de ano, todo fim de semana, ocorre a Feira do Troca do Caiara. O Infornativo esteve lá para conhecer a dinâmica da feira que movimenta aquele lugar.

Troca Troca do Caiara, Feira do Troca, Feira Popular de Novos e Usados, Feira Popular Livre do Cordeiro, muitos são os nomes para a feira realizada em terreno próximo ao Parque do Caiara, na Av. Maurício de Nassau. De acordo com Ubirajara da Costa, a feira originalmente se localizava nas proximidades do Hospital Getúlio Vargas. “Eu trouxe essa feira do Getúlio Vargas para aqui. Faz mais ou menos 8 para 10 anos”.

Já Carlos, que também afirma participar da feira desde o início, diz que a feira chegou a ser realizada por 3 fins de semana no viaduto da Caxangá. A motivação para esta mudança foi o fato da feira estar ocupando a calçada e parte da rua. No entando, ao retornar para o local de origem (Av Mauricio de Nassau), a organização do espaço assegurou a manutenção da via livre para o trânsito de carros e pedestres.

Do ponto de vista dos materiais que são ali vendidos ou trocados,  feira conta com uma imensa diversidade. Ferramentas, equipamentos eletrônicos, mesmo comida e bicicletas estão entre os artigos que podem ser adquiridos naquele espaço. Os vendedores/trocadores normalmente se especializam em algum produto específico, mas não raro uma pessoa que vende ou troca usados de um tipo leva produtos de outra qualidade. É o que afirma Erandir, que vende comida para os feirantes: “trabalho aqui há 5 anos. As vezes eu trago outras coisas [além de alimentos] para vender também, som, celular, dvd e outras coisas”.

Existem ainda uma série de outras feiras livres no Recife, de características diferentes uma das outras. De acordo com o site da Prefeitura do Recife, na RPA-05 há feiras em Mustardinha, Areias e Afogados. Já na RPA-04, são registradas as feiras da Várzea, Cordeiro, Bomba Grande e Engenho do Meio. Em todo o Recife, tratam-se de cerca de 17 feiras e 2900 bancas na cidade cuja administração é feita pela Csurb, mas a organização dos produtos para venda é feita pelos próprios vendedores de forma independente.

O comércio popular, ou chamado comércio informal, pode ser uma boa alternativa em tempos de crise para moderar nos gastos de fim de ano. Não fazer o orçamento pode deixar prejudicadas as pessoas, elevando as compras de fim de ano para muito além da conta e ocasionando prejuízos futuros, como as despesas de janeiro (matricula escolar, material escolar, pagamento do IPVA). Através do comércio popular, não só é possível encontrar os produtos em melhor preço, como também as feiras são espaços de socialização importantes. Foi a confirmação de muitas pessoas que participavam da feira do troca, no Caiara, mesmo sem estar levando algum produto para troca e venda, apenas pela conversa com os amigos e o clima de brincadeira constante.

As feiras livres, além de serem espaços onde é possível comprar mais barato, remetem a própria história da cidade do Recife, cidade de mascates, onde o comércio impulsionou a construção da vila que viria a ser capital de Pernambuco. Assim, a tradição do Recife ser uma cidade voltada para o comércio se traduz em feiras como estas, promovidas pelos próprios moradores e que movimentam a economia dos lugares, sendo a fonte de renda para as pessoas que se encontram sem emprego formal, ou complementando a renda das pessoas que trabalham durante a semana.

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