Hospital Veterinário inaugurado, usuários frustrados

por: Felipe Meireles| Fotos:  Osvaldo Morais

Parece que a Prefeitura do Recife acelerou o ritmo de trabalho aqui na Região Oeste e foram entregando as partes físicas dos projetos como no Parque da Juventude, no COMPAZ, na revitalização do Parque do Caiara, no Hospital da Mulher e no Hospital Veterinário do Recife (HVR), sem se preocupar com a plenitude dos serviços fundamentais que propuseram para cada instituição e que fariam valer a pena, se estivessem funcionando. Deficientes já desde o início, alguns destes serviços já começaram as atividades com um certo grau de reprovação, por parte dos moradores do entorno.

Em outras esferas os usuários já convivem com a ineficiência dos serviços públicos e mais uma vez são seduzidos a acreditar nas propagandas enganosas de inauguração desses novos, mas quando tentam usufruir dos benefícios ditos na publicidade, saem frustrados ao se deparar com a precariedade no atendimento dentro das particularidades de cada caso.

Como leitor vejo que este Jornal trás à tona relatos que influenciam no dia a dia dos leitores e a convite dos editores, tomei a iniciativa de buscar mais informações sobre o caso do (HVR), até porque sou criador de 2 gatos e uma cadela e por isso busquei me informar sobre a entrega dos serviços.

A cerca de um mês, no dia 08 de junho de 2017, o Prefeito Geraldo Júlio oficializou a inauguração do Hospital Veterinário do Recife, localizado na Avenida Professor Estevão Francisco da Costa no bairro do Cordeiro, nas costas do GOE e do Conjunto Habitacional do Cordeiro, onde visitei e conversei com os recepcionistas e usuários no aguardo do atendimento e outros que já tinham resolvido parcialmente o problema dos seus animais de estimação. Antes disso tivemos problemas com o acesso ao local e também encontramos nos depoimentos, reclamações sobre a distância do HVR até a parada de ônibus. Os que utilizam transporte particular também relatam ter dificuldade com a rua que ainda permanece sem o calçamento na principal via de acesso. Infelizmente, nenhum dos entrevistados autorizaram serem identificados com medo de retaliações ao serem atendidos depois da publicação da matéria nesta edição.

Um casal indignado, ao perceber a presença do equipamento fotográfico, disse que se fossemos da impressa, teriam uma reclamação e continuou: “ Amigo, cheguei desde cedo e venho com meu filho e essa cadela lá de Camaragibe, tive que descer na Avenida Caxangá e andei até aqui. Ela (a cadela) quando tosse, sai sangue e já mostrei a situação na recepção, mas eles não me deram nenhuma previsão de atendimento. Como se a gente não fosse nada, disseram que à tarde, perto das 15 horas é que talvez tivesse como atender meu caso. Me pediram paciência pra esperar até lá, mas não garantiram nada”. O filho que acompanhava completou: “ É muita propaganda, como é que pode um atendimento desses, não tivemos como agendar e viemos procurar o atendimento de emergência que é o caso desse animal. A bichinha não consegue nem andar. Saímos de longe e não foi fácil chegar aqui pra ser mal atendido daquele jeito.”

A situação sobre o acesso é realmente um dos problemas que os gestores públicos devem se preocupar, mas não é só. Segundo o Jornal Folha de Pernambuco, em matéria divulgada no ano de 2013, neste período “o Recife possuía aproximadamente 100 mil animais, entre cães, gatos, e outros, vivendo nas ruas da cidade em estado de abandono”. As pessoas sensibilizadas, tornam-se voluntários com intuito de minimizar o sofrimento dos animais, recolhem os bichos debilitados e levam consigo para um lugar a serem domesticados e com cuidam com amor, mesmo tendo limitações financeiras, como é o caso de uma voluntária que estava no estacionamento do HVR depois de ter sido atendida a espera do transporte que voltaria para casa com seu cachorro, diagnosticado com infecção sanguínea. Com muito cuidado em relação a identificação preferiu não se identificar, declarou uma opinião divergente em relação ao atendimento, mas concordou com a dificuldade de acesso e nos levantou outra problemática confirmada pelas recepcionistas do hospital: “Estou sendo atendida e já é a segunda vez, que venho aqui. Fiz do jeito que eles pediram ao telefone, marquei a consulta e fui atendida rapidinho. Mas a bronca é que não estão fornecendo os medicamentos e nem os exames que meu cachorro precisa para começar o tratamento. E pior que os veterinários estão indicando clínicas particulares com a promessa de que se a gente chegar com o encaminhamento ou prescrição com a marca do HVR, vamos ter descontos nos serviços e medicamentos. Eu pensava que ia aliviar um pouco minhas contas, gasto muito com os bichos que levo pra casa. Quero ver até quando eles vão continuar com isso, disseram que no final desse ano vão começar fazer alguns exames. E os medicamentos quando estarão disponíveis?”

O fato das indicações para exames e medicamentos em clínicas particulares, surpreende muito mais quando, os próprios funcionários na recepção confirmam com naturalidade que a irregularidade vem sendo colocada em prática desde a inauguração e só vai se extinguir quando todos os serviços forem entregues pelo hospital: “Que fique bem claro, não trabalhamos com convênio com nenhuma clínica particular, apenas indicamos para algumas da confiança dos médicos veterinários, onde os usuários recebem descontos se apresentarem algum comprovante que foram atendidos aqui no hospital”.

É assim que iniciaram as atividades no primeiro Hospital Veterinário “público” do Norte e Nordeste. Tentei o contato com diretor geral do hospital, mas não me deram a oportunidade de conversar diretamente com ele, justificando que naquele momento ele estava realizando uma cirurgia. Deixei os contatos dos editores deste jornal aos quais sugeri que fosse agendado uma reportagem com intuito de esclarecimento dos fatos relatados por mim, assim como para saber das previsões sobre quando todos os serviços estarão disponíveis gratuitamente.

Os que precisarem dos serviços do HVR, podem agendar as consultas através do telefones 3355.9415 e 3355.8179, das 8h às 12h e ou das 14h às 18h. O hospital também atende alguns casos de urgência, mas os recepcionistas alentam que esse tipo de atendimento é limitado e só realizam em situações isoladas. Por isso é importante ligar para os telefones de contato, para evitar o deslocamento sem sucesso no atendimento como caso dos primeiros entrevistados.

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