É possível prosperar em tempos de crise econômica?

por: Julie Marques| Fotos: Osvaldo Morais

Todos os dias na televisão, nos jornais e na internet é falado sobre a crise econômica pela qual o Brasil está passando. Colunistas e comentaristas alardeiam que está difícil, que o Brasil vai “cada vez pior”, que a inflação é culpa do governo federal e do sistema político brasileiro. De fato, de acordo com os resultados das pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a alavancada que a economia do país vinha experimentando desde 2012 foi freada, e muitos setores sofreram déficit. De 2014 para 2015 a média do salário do brasileiro caiu 12,2%, e as taxas de desemprego também aumentaram, porque as empresas iniciaram políticas de corte de gastos.

Ainda de acordo com o IBGE, a população brasileira está gastando menos dinheiro com transporte, lazer, salão de beleza e cursos, o que significa queda para o setor de serviços. Além disso, a inflação, principalmente sobre a energia e a gasolina, tem atingido o bolso e a preocupação do brasileiro, e os juros sobre crédito cedido por bancos estão bastante altos.

Porém, nos bairros da Região Oeste do Recife,  parece que a crise está sendo favorável às oportunidades de negócios. Muitos novos estabelecimentos comerciais vem sendo inaugurados desde 2015. Cansado de ter sempre trabalhado no comércio como empregado, Luciano Diniz decidiu abrir seu próprio empreendimento, San Coffe – Chocolataria e Happy Hour, inaugurado há três meses. “Eu fiz uma pesquisa e vi que na área de San Martin não tinha cafeteria, um ponto pequeno mas diferenciado pro público, com cervejas importadas, cervejas artesanais, aí eu já atrelei o happy hour devido a isso”, diz Luciano sobre a escolha do produto vendido em sua loja, que fica bem perto de sua casa. Ele fez a pesquisa de mercado de acordo com a carência desse serviço no bairro, oferecendo portanto um diferencial.

Assim também foi a concepção do serviço oferecido pelo Empório Saúde, quando Rodrigo Pedrosa estava reeducando sua alimentação e percebeu que em San Martin não havia opções de lojas de produtos naturais, e então em 2014 resolveu criar uma. Aos poucos, foi identificando uma carência ainda maior: de produtos vegetarianos e veganos, nicho que vem se tornando cada vez mais popular. E colocou o plano em prática: “Eu tive a ideia, analisei o ponto, achava muito legal aqui, sempre tive vontade de abrir um ponto nessa galeria, e depois da ideia amadurecida veio o SEBRAE né. É bem válido você fazer esse tipo de consultoria, é gratuita e abre muito os horizontes”, diz Rodrigo. Um serviço de consultoria pode ser importante na hora de conceber um plano de negócio, principalmente em fases mais apertadas, para que não se tomem tantas decisões arriscadas, desde a escolha do produto até a adesão a linhas de crédito. O pequeno comércio traz vida aos bairros, diversificando as opções de consumo, levando as pessoas a circular mais pela rua sem precisar pegar carro para consumir em outros cantos da cidade. Rodrigo Pedrosa identifica isso como uma tendência: “Pela questão da mobilidade tá muito deficiente na cidade da gente, hoje o pessoal tá saindo muito menos de casa, o pessoal tá buscando coisa mais perto. San Martin ainda é considerado subúrbio, mas deu um boom muito grande”, diz ele.

Na região oeste do Recife tem se multiplicado estabelecimentos comerciais, principalmente de comida, como creperias, temakerias, culinária regional, além de lojas de roupa, tecidos, itens eletrônicos, oficinas, até estúdios de tatuagem. “Tem muita gente morando por aqui, o poder de compra do pessoal daqui aumentou consideravelmente de dez anos pra cá, e tem muitos comércios de nível chegando aqui”, diz Rodrigo, que é morador de San Martin. “Tem a perspectiva de um shopping aqui, de médio a longo prazo mas vai chegar, a Região vai dar esse boom sim. O centro do Recife tá satu- rado, então tá começando a ter mais opções de serviços nas adjacências”, completa.

Luciano Diniz, que está nos primeiros passos do San Coffee – Chocolataria e Happy Hour, planeja trabalhar para atrair mais público, criar fidelidade na clientela e já pensa até em expansão do ambiente. “Mas é aquela coisa, tem que encarar, acreditar e correr atrás do diferencial. Botar um negócio pra ser só mais um,  e junto com essa crise, vai ficar muito mais difícil, realmente, a probabilidade de dar errado é muito maior. Você encarando, correndo atrás, e fazendo um produto diferenciado, que normalmente não se tem no bairro, a probabilidade é mais difícil de dar errado”, diz Luciano.

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