É possível democratizar a comunicação?

por: Julie Marques| Fotos: divulgação/ Brasil de  Fato – PE e Jornal  Infornativo

Em dezembro de 2015 Pernambuco ganhou espaço num veículo de comunicação compromissado com o exercício da democracia. O Brasil de Fato é um site de notícias, que reúne também uma radioagência que produz conteúdo jornalístico no formato de rádio, e hoje funciona nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Pernambuco em formato de tabloide, uma versão compacta de jornal impresso.

A seção Pernambuco atua produzindo conteúdo para o site, para redes sociais, para a radioagência, e o tabloide quinzenal que é distribuído gratuitamente. Em março a equipe de Pernambuco começou a produzir seu programa de rádio, que é veiculado na Rádio Globo 720AM e vai ser veiculado semanalmente às 7h da manhã de sábado, com reprise nos domingos. O conteúdo é produzido na redação do Brasil de Fato Pernambuco por uma rede de colaboradores. O trabalho deles é sustentado através de publicidade, como a maioria dos veículos de comunicação, divulgando o trabalho de organizações nacionais e locais, como movimentos populares, sindicatos e ONGs.

“Uma visão popular de Pernambuco, do Brasil e do Mundo”, é como a editora Monyse Ravenna define o direcionamento da produção jornalística do Brasil de Fato Pernambuco. “Nossa principal contribuição é oferecer uma perspectiva popular da informação aos trabalhadores e trabalhadoras, além de contribuir com conteúdo que possibilite debate e formação”, explica Monyse. Esta é a linha editorial essencial do Brasil de Fato, que busca cobrir fatos ignorados pela mídia hegemônica. O apoio de organizações populares tem influência direta no direcionamento político do veículo, a escolha do ponto de vista do trabalhador, o que Monyse chama de perspectiva popular.

As matérias do Infornativo partem de um desejo muito parecido com o de Monyse no Brasil de Fato, que é o de fazer jornalismo com objetivo de provocar o debate e refletir os efeitos dos acontecimentos diários sobre a classe trabalhadora popular, em nosso caso, na Região Oeste do Recife. Consideramos essencial que se problematize as consequências da reforma da previdência, do estímulo à terceirização de serviços, e que se exponham situações como a de comunidades do bairro do Jiquiá que são expulsas de suas casas, destruídas sem diálogo suficiente por parte dos órgãos da gestão pública a serviço dos empresários.

Não acreditamos na ilusão do jornalismo imparcial e neutro, discurso constante em veículos de comunicação conservadores que defendem sua versão dos fatos como a “verdade”. O jornalismo é um fazer humano, e por isso sempre parte do olhar, inclusive político e ideológico, do profissional responsável pelo texto. Mas não é só isso. O fazer jornalístico tem, acima de tudo, o papel de estimular o diálogo e o debate entre as diferentes versões do mesmo fato. Confrontar ideias é essencial para ampliar visões, estimular o conhecimento e a formação de opinião. Portanto, o leitor tem papel ativo no consumo da informação e na escolha do que acreditar e defender. A democratização da comunicação, ou seja, descentralizar a produção de conteúdo dando voz à população e servindo a ela, é essencial na luta por justiça social.

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