Como enfrentar a crise trabalhando

por: Marly Morais| Fotos: Peixe

Ler jornais ou assistir telejornais atualmente transformou-se em tortura mental para nós brasileiros. Diariamente, uma avalanche de pautas negativas com novos acontecimentos envolvendo insegurança pública; problemas eternos no atendimento à saúde da população; taxas de desemprego, e se já não fosse suficiente, virou moda os ataques de agentes de algumas prefeituras a ambulantes; e como matriz de todos os males, assistimos perplexos sobre centenas de notícias sobre o envolvimento de políticos e empresários em corrupção.

Consideramos importante a publicação dos fatos pela mídia tais como acontecem, denunciando sem maquiagem as mazelas políticas e sociais, bem como consideramos que a população civil deve se organizar politicamente para lutar com veemência contra os desmandos, a ingerência ou a corrupção com recursos públicos. Os indivíduos, isoladamente não mudarão essa realidade, precisam realmente se envolver em grupos para fortalecer a luta em solidariedade ao coletivo.

Mas, não é sobre isso que trataremos nesta matéria. Sem esquecer da necessidade paralela de haver ações e lutas que todos devemos travar coletivamente, observamos no dia a dia a luta de indivíduos ou de famílias que se preveniram contra o desemprego, reagindo positivamente para sua subsistência diária, pois as necessidades básicas não tem paciência de esperar.

Com certeza, os leitores deste jornal devem conhecer inúmeros indivíduos que não abandonaram seus sonhos mediante as adversidades da crise econômica e estão trabalhando como microempreendedores em diversas áreas. Buscamos identificar e convidar algumas pessoas, para que nos ensine um pouco a enfrentar crises pessoais e familiares causada pelo desemprego, nos relatando um pouco de suas experiências.

A exemplo do que pretendemos mostrar, Alessandro, se tornou comerciante de uma quitanda situada na praça de San Martin, no Cruzamento entre a Avenida General San Martin com a Rua Vinte e Um de Abril há um ano e três meses. Ele relata que era funcionário de uma empresa terceirizada da CEASA e estava insatisfeito com seu salário: “Via meus supervisores ganhando mais, podendo pagar faculdade pros filhos e eu que trabalhava lá desde os onze anos de idade ganhando pouco.”  Após concluir que não havia perspectiva de melhorar de vida neste emprego, resolveu sair e montar seu próprio negócio. Não fez nenhum planejamento específico, diz: “Não procurei nenhuma orientação, mas aprendi com amigos com quem trabalhei em quitandas e supermercado e formalizei meu comércio, registrando com nome e razão social. Investi de início pouco dinheiro e fui multiplicando e trabalhando… e em quatro meses já pude investir mais. Já tenho um retorno que me faz pensar em aumentar mais meu negócio… estou satisfeito e penso em abrir um grande comércio aqui mesmo com quitanda e mercado com outros produtos”.

Situação semelhante, motivou a proprietária da loja Jô Boutique, situada na Avenida General San Martin a deixar o emprego anterior para ter sua própria loja. Ela conta que se estabeleceu em San Martin no ramo de vestuário, pois já trabalhava em comércio de roupas. E como seu salário iria sofrer redução em função da crise pela qual passa o país, pediu para sair do emprego anterior com acordo de demissão. Depois abriu o comércio sem orientação do SEBRAE, pois entendeu que sua experiência era suficiente, não achando necessário. Investiu nos produtos e em mobiliário para iniciar, estando há dois meses no estabelecimento, não podendo analisar ainda se houve compensação em relação ao emprego anterior, por ser muito recente.

Percebe-se que ambos confiaram na experiência anterior, dando continuidade ao que já conheciam para diminuir os riscos de aventurar-se em atividade estranha. No caso de Alessandro, a proximidade com outros comerciantes que trabalham com hortifrutigranjeiros é  um elemento de atração de mais público consumidor para o local, pois a população tem certeza de que lá encontrará maior diversidade de produtos e de preços. As lojas na avenida principal do bairro atualmente também são diversificadas e a população local já encontra quase todos os produtos que antes só encontravam no centro da cidade.  Agora usufruem da comodidade de não ter de deslocar-se para longe a fim de adquiri-los. Para a nova comerciante da Jô Boutique provavelmente o local foi uma escolha positiva, que pode significar sua permanência e sucesso pela proximidade favorável com a diversidade do comércio local.

No entanto, embora a autoconfiança dos comerciantes a partir do reconhecimento de ter experiências nos ramos de trabalho escolhidos para se montar negócios seja um dos fatores importantes para o sucesso, recomendamos que busque formação com especialistas e troca de experiências que são promovidas por órgãos de apoio, como é o caso do SEBRAE. Facilmente podem ter acesso a informações fundamentais para gerenciar negócios com poucos riscos ao capital investido, que no caso do pequeno empreendedor, já é escasso, evitando que haja o fechamento da atividade.

Recomendamos a visita do investidor que tem pouco capital de giro ao endereço virtual do SEBRAE, aquele que deseja iniciar qualquer ramo de negócios ou aquele que queira prosperar em caso de já estar estabelecido e enfrentando alguma dificuldade. As orientações abrangem o registro MEI – Microempreendedor Individual, com as vantagens e diversos benefícios que se pode conseguir obter, como aposentadoria e auxílio-doença, além da possibilidade de participar de licitações públicas. Ademais, pelo portal o empreendedor pode acompanhar a programação de cursos e eventos, tomar conhecimento sobre licitações e oportunidades de credenciamentos e ter acesso a outras ações de apoios diversos de que necessite. Quanto maior for o conhecimento adquirido para gerenciar, para realizar planejamento estratégico com vistas a fazer crescer sua empresa ou obter superação de entraves financeiros e de outra natureza que invariavelmente surgem, menos riscos de fechamento das empresas e mais sucesso obterão.

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