Chesf pública é manter o Rio São Francisco vivo

por: Osvaldo Morais| Divulgação: STIU-DF

Quem mora ou circula no bairro de San Martin, nestes últimos meses, pode ter  se deparado com as movimentações dos trabalhadores “Chesfianos” em prol da defesa do Rio São Francisco, que implica na desvinculação da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) da privatização da Eletrobras.

As privatizações fazem parte de mais uma das medidas do governo Temer, que pretende vender as riquezas do patrimônio nacional para grandes empresários em troca do capital estrangeiro. Para justificar a venda da Chesf, o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, diz que a empresa não vem conseguindo terminar suas obras. “Do maior número de obras com atraso na Aneel, a Agência Nacional de Energia Elétrica, a maior participação é da Chesf, pela falta de capacidade financeira que a empresa tem hoje”.

Aquele velho discurso de um governante manobrado pelos financiadores de suas campanhas políticas, que por sua vez, não medem esforços para manter a hegemonia das corporações que desenvolve seus negócios a explorar os trabalhadores e os recursos naturais do país. Neste caso “Chesf” não é diferente, com intuito de desqualificar a atual gestão da Companhia, o ministro representante da presidência, vem trazendo à tona uma série pontos para justificar a ineficiência da empresa, afim de formar uma opinião pública que favoreça a aprovação da privatização.

E O QUE A GENTE TEM HAVER COM ISSO?

Se hoje a conta de luz é um absurdo, imagina o que isto pode representar caso a maior geradora de energia do nordeste caia nas mãos da iniciativa privada. Uma política, implantada por meio da Medida Provisória nº 579/2012, faz com que as hidrelétricas vendam energia às distribuidoras por um preço fixo.

Sendo privatizada, a companhia rompe o acordo determinado pela Aneel, podendo firmar preços conforme o mercado e as realidades das instituições. Vai ser no bolso dos cidadãos de mais de 80% dos municípios do nordeste que a conta vai pesar. Trazendo para realidade dos moradores do Recife, a Celpe que compra energia a Chesf, consequentemente repassaria os acréscimos para o consumidor final.

O pequeno e médio empresário também pode pagar essa conta e por sua vez, vai precisar aumentar o valor de seus produtos ou serviços para não quebrar. É na verdade, uma bola de neve, que leva todos que dependem da energia para realizar suas atividades, para o fundo do poço.

UM ATENTADO AO VELHO CHICO.

Além dos motivos sociais e econômicos, o impacto ambiental não deve ser esquecido. O valor da água do São Francisco para outros usos, como o abastecimento humano é questionável: a transferência para investidores privados do controle operacional das usinas do Sistema Eletrobras, particularmente daquelas geridas pela Chesf, condicionará por décadas todo projeto ou ação que demande água do Rio São Francisco.

Segundo o ministro Fernando Coelho, que defende com unhas e dentes  o modelo de privatização, diz que obrigatoriamente os recursos  gerados com a atividade econômica da companhia, serão destinados para a revitalização do Velho Chico.

Sabemos que na prática esse discurso não bate com a realidade, basta comparar com a tragédia provocada pela mineradora Vale em Mariana (MG). Mesmo com tamanha repercussão, desde novembro de 2015, a empresa não vem cumprindo com os acordos e determinações judiciais de requalificação social/ambiental na região.

São por estas e outras, a importância de tornar significativa a participação da parcela população a ser atingida com as possíveis transformações. Os trabalhadores “Chesfianos” já começaram a fazer sua parte, junto a classe artística e tantas outras organizações populares e sindicais. Mas o velho chico clama pela sobrevivência e depende da mobilização popular para frear o avanço das ações predatórios do governo Temer. Faça sua parte, pesquise sobre o assunto em questão, dialogue com os colegas, descubra os pontos de vista e lute como puder.

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