Cárcere de pássaros: beleza e liberdade em cativeiro

foto: Osvaldo Morais

foto: Osvaldo Morais

por Julie Marques

O pássaro é culturalmente um animal a que se atribui o símbolo da liberdade. Sua possibilidade de voo fascina a humanidade. A partir desse fascínio surgiu o impulso milenar de se procurar maneiras de fazer com que um ser humano voasse. A beleza do canto dos pássaros também encanta, com seus diversos timbres e canções próprias.

Tanto que, em inúmeros exemplos, o canto dos pássaros é utilizado como elemento artístico, como na poesia do “Assum Preto”, de Luiz Gonzaga. E, para possuir esse fascinante animal sempre por perto, encarceram e capturaram um ser que tem a liberdade como essência.

De acordo com a Lei de Proteção à Fauna Silvestre, a caça, a captura e o aprisionamento de animais silvestres, categoria em que os pássaros se incluem, são considerados crimes ambientais. Aqui no bairro de San Martin inclusive, o CIPOMA realizou, ainda nesse ano, a apreensão de pássaros que eram mantidos em uma casa sem licenciamento, e entre eles havia uma espécie em extinção.

E é justamente para evitar a extinção total de algumas espécies que a legislação permite a criação de pássaros que estejam devidamente registrados e licenciados pelo IBAMA. Há uma lista, disponível na página da instituição, que define quais são as espécies que podem ser criadas de forma amadora e comercializadas. Quem quiser criar um pássaro precisa passar por um processo burocrático através do IBAMA, como também pagar uma taxa anual. Quando um animal silvestre é apreendido, é enviado ao CETAS – Centro de Triagem de Animais Silvestres – onde ele é identificado e cuidado para que possa ser reintegrado à natureza.

Porém, na maioria dos casos, o processo não é respeitado e vários animais são comprados e criados sem licença, em muitos casos de forma inadequada, começando pela maneira que são aprisionados. O pássaro por si só é um animal que desenvolveu sua evolução em locais abertos, onde por esforço conseguiria fazer seu ninho e garantir sua alimentação. Ou seja, ele não nasce para ficar preso numa gaiola, nem comendo apenas a ração que é posta todos os dias a seu alcance imediato. É recorrente a situação de um animal que é enviado ao CETAS, mas não ter condições de ser solto, por ter sido criado como animal de estimação.

Acima da discussão da legalização da criação, é importante que se leve em conta esses fatores de negação de liberdade à ave. Muitas vezes, o cuidado que se quer dar não é suficiente para que o ciclo biológico de nascimento, crescimento, reprodução seja pleno, impedindo a renovação da espécie no meio ambiente em que ela se desenvolveu, como é o caso das araras, que correm riscos de serem extintas.

Ter um pássaro com um canto bonito todas as manhãs parece bom, mas talvez seja um ato um tanto egoísta da espécie humana. Mais belo ainda poderia ser vê-lo cantar em seu habitat de origem, em sua natureza plena.

PARA REALIZAR DENÚNCIA DE MAUSTRATOS E CÁRCERE PRIVADO DE ANIMAIS SILVESTRES LIGUE:
CIPOMA – Companhia Independente de Policiamento do Meio Ambiente – Tel.: (81) 3181.1700 / 3181.1703
IBAMA – Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis – Tel.: (81) 3201.3800 / 3201.3802
DEPOMA – Delegacia de Polícia do Meio Ambiente – Tel.: (81) 3184.7119 / 3184.7121

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