As vozes itinerantes da região oeste

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por: Peixe| Fotos: Osvaldo Morais

Algumas atividades exercidas pelos bairros recifenses marcam gerações e gerações, de maneira a passarem quase que despercebidas por já fazerem tanto parte da cultura e do consumo local. Não é diferente quando falamos dos vendedores ambulantes e sua variedade de produtos. Eles se tornam conhecidos nos bairros que passam e seus produtos mais ainda, pois despertam o interesse dos moradores e pedestres da região.

Por fazerem parte da memória dos moradores, mesmo que mude quem circula, o ofício dos vendedores que percorrem as ruas, contribuem para a construção do contexto urbano e para a permanência do comércio de rua que acontece há décadas. Porém, é importante salientar que mesmo que a prática tenha surgido há muito tempo atrás, ao longo dos anos algumas adaptações ao tempo atual e às necessidades atuais se fazem presentes, com os nossos entrevistados, podemos constatar a busca para melhor atender seus clientes, aperfeiçoar seus produtos, embalagens e como atingir uma maior divulgação.

Para Ademir Gomes, vendedor do doce quebra-queixo (ou “japonês”), o seu apito e seu bordão próprio – óulaite! – fazem com que seus clientes escutem e imediatamente o reconheça de suas casas ou  estabelecimentos ao longo do bairro de San Martin. Ademir circula semanalmente das terças-feiras aos domingos em sua bicicleta com seu produto protegido em um compartimento que só é aberto para que os clientes escolham seu sabor, dentre toda a variedade oferecida. Desde os mais tradicionais: amendoim, batata e coco; aos fruto da criatividade de Ademir e da necessidade de renovação, como os de goiaba e de  “beijinho”.

De consumidor, Ademir Gomes se tornou vendedor ambulante ao ser apresentado por um amigo e há 6 meses que fabrica seu próprio produto no bairro de Roda de Fogo, mas faz 3 anos que trabalha na área e circula em San Martin, bairro que conhece desde criança quando morava no bairro com sua avó. Ele sempre passa nas ruas do entorno da Chesf.

Há quase dois anos, Cristiano da Silva vende picolé de saquinho, salada de frutas, dudu e água mineral pelas ruas do Bongi e de San Martin. Ele conta que já trabalhou em empresa no ramo de administração, sua área de formação, mas que ao ser demitido e perceber que em casa tinha um produto de qualidade e de boa procura pelos consumidores, teve ideia de fazer uma venda itinerante, foi quando disse para sua esposa aumentar a produção.

Além da esposa de Cristiano, outros membros da família também participam da “empresa familiar”, como sua filha e sua sogra. As três ficam na produção e manuseio da fabricação dos produtos, enquanto ele cuida da compra dos materiais e da venda itinerante. Por circular pela manhã e à tarde, Cristiano não descuida dos cuidados em relação à exposição do sol e vai equipado com garrafinha de água, protetor solar, chapéu e camisa UV. Além da simpatia que os vendedores compartilham, o contato com os outros vendedores e com o público consumidor acaba criando e fortalecendo os laços comunitários e contribuindo para que se mantenha viva a tradição da circulação de diferentes formas de comércio.

Há espaço para todos e percebe-se um respeito aos espaços de venda de cada produto em determinadas áreas. Um exemplo é o do tradicional “Puro Milho”, que não só um, mas vários vendedores transitam por diferentes bairros dando espaço para todos. Com seus triciclos verdes e equipados, os vendedores Fábio Alexandre e Jackson Vieira confirmam que a procura por produtos de milho aumenta nessas épocas do ano e que além de a cada dia pelas andanças ganharem novos clientes e apreciadores dos produtos de milho, estão tendo encomendas de São João. Jackson contou que percorre o trajeto Detran, Rosa de Fogo, Torre e trabalha a pouco mais de três semanas no ofício e que os clientes já o conhecem.

As vendas itinerantes pelas ruas dos bairros locais se organizam tanto pela proximidade dos locais percorridos como pelos produtos que vendem; o ofício além de ser parte importante para a memória dos habitantes e dos pedestres, acabam sendo alternativas de inserção no mercado de trabalho para diversos indivíduos.

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