A semente foi plantada no lugar do lixo

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por: Rafael Eduardo /  Fotos: Flavio Reis

A primeira foto mostra a Av. Manoel Gonçalves da Luz, no bairro da Mustardinha. É possível ver uma grande quantidade de lixo acumulado. Esse era um problema que repetia em vários dias da semana, inclusive em outros pontos da avenida.

Já a foto da direita mostra um cenário diferente. É a mesma esquina da avenida Manoel Gonçalves da Luz mas agora sem todo aquele lixo acumulado.

O lixo, é claro, não desapareceu por um passe de mágica. O trabalho que mudou a cara da avenida veio da mobilização popular, da união dos moradores para melhorar a vida no bairro. Foi assim que surgiu a ideia do projeto Jardim do Lixo, promovido pelo Movimento Cultural da Mustardinha, junto com a Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana  – Emlurb, além de  agentes de saúde, igrejas e moradores da localidade.

“Aqui é um lugar de muito comercio. Temos uma feira muito movimentada, e isso  gera muito lixo, que era descartado sem muita consciência, ficando acumulado em pontos de confinamento.  Geralmente as pessoas evitavam passar por esses locais, porque o mau cheiro e o risco de pegar doenças eram muito grandes. E o acumulo do lixo chegava a ser tão grande que muitas vezes inviabilizava a passagem de carro. É para resolver isso que estamos fazendo o projeto”, descreve o educador ambiental e membro do Movimento Cultural, Flávio Reis.

O grupo fazia a retirada do lixo e, para garantir que não haveria mais descartes no local, tomou uma atitude que vem para contribuir ainda mais com o meio ambiente – começou a fazer plantações de jardins.

“Tudo é uma questão de educação ambiental. As pessoas passaram a mudar sua prática e a contribuir para cuidar dos jardins. E cada um contribuiu com o que pôde. Teve pessoas que doaram plantas e se responsabilizaram pelos cuidados. Tivemos ajuda até para instalar uma torneira e facilitar na hora de colocar água nas plantas”, conta Flávio.

A ação já aconteceu em vários pontos no bairro da Mustardinha. Além da Avenida Manoel Gonçalves da Luz também foram alvos do projeto Jardim do Lixo pontos das ruas Pio Muniz de Farias, Tejucupapo, Joana Francisca de Azevedo. A ultima ação aconteceu esse mês nas proximidades da Escola Antonio de Brito Alves.

Essas ações acontecerem em pontos em que as pessoas já não aguentavam mais conviver com o lixo na porta de casa. É o caso de dona Socorro, moradora da Rua Joana Francisca de Azevedo. Ela conta que, por causa do ponto de confinamento, era muito comum aparecerem ratos, baratas e, principalmente mosquitos, que podem transmitir doenças. “Agora acabou tudo. Não tem mais aquela quantidade de bicho e de muriçoca. Isso mostra que vale a pena o esforço”, diz Dona Socorro, que é uma das responsáveis pelos cuidados do jardim.

O projeto deu tão certo em conscientizar as pessoas que, além de cuidar dos jardins, elas ainda fazem a fiscalização de quem joga lixo. “Hoje com a tecnologia fica muito fácil. Foi engraçado que as pessoas começaram a filmar e fotografar quem joga lixo. Isso fez muita gente parar pra pensar”, afirma Flavio Reis.

O educador ambiental ressalta ainda a importância da escola nesse processo. “Eu levo todo esse conhecimento também para a Escola Antonio de Brito Alves. Acredito que é na escola, no contato com os jovens que se começa a formar o cidadão consciente da importância para o cuidado com o meio ambiente”, destacou.

Ainda há pelo menos 6 pontos de confinamento de lixo na Mustardinha na mira do projeto. E a iniciativa já está se expandindo. Vendo os bons resultados do projeto na Mustarinha, já apareceram pessoas do bairro do Bongi interessadas em transformar lixo em jardins.

 

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