A espera do comprometimento da prefeitura.

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A Bacia do Rio Tejipió, nasce em São Lourenço e deságua na bacia do Pina. Deu o nome ao Antigo Bairro de Tejipió, e teve enorme importância histórica, pois servia como transporte de açúcar na época dos engenhos. A sua situação atual do rio é deplorável, uma vez que ele está todo assoreado e ocupado, recebendo as águas do riacho Jiquiá (equivocadamente chamado de rio Jiquiá) e de vários canais, incluindo as águas dos canais da Marinha e São Leopoldo que cortam o campo do Jiquiá. Em períodos de chuva intensa, por causa do assoreamento do Rio Tejipió e do riacho do Jiquiá, os canais, que nele desaguam, transbordam, invadindo as residências do entorno, como ocorria até 2 anos atrás.

O campo do Jiquiá fica localizado no bairro do Jiquiá e apresenta vegetação de capoeirinha, arbustiva e herbácea, e que está sendo devastada pela população para construir moradias, sob o olhar complacente do poder público, constituindo a ação um crime ambiental uma vez que trata-se de uma APA – Área de Preservação Ambiental. Nesta área, na década de 1930, funcionava o campo de pouso do dirigível Graff Zeppelin que fazia viagens entre a Europa e o Brasil. Na área da torre de atracação do dirigível há um projeto para implantação do Parque Científico e Cultural Alberto Santos Dumont, onde serão instalados: planetário, museu de artes, ciências e tecnologia, centro de criatividade, refinaria cultural, museus de ciência e memorial dos cientistas notáveis e parque dos relógios solares. O projeto é bonito, mas nos parece que a Prefeitura do Recife não terá os recursos financeiros suficientes para manter esses equipamentos. É mais um projeto em que não estão sendo investido recursos, não trazendo retorno econômico e social. Vale lembrar que hoje, a Prefeitura não tem dinheiro para os programas auxílio moradia, nem para o Minha Casa, Minha Vida (MCMV), nem para a melhoria das escolas e educação da rede municipal, nem para conclusão do Hospital da Mulher, etc.

O Complexo Empresarial e o Residencial Ecocity Jiquiá, com o Shopping Metropolitano, serão construídos do lado oposto ao Parque Científico e Cultural Alberto Santos Dumont em construção, sendo separados pela Avenida João Cabral de Melo Neto.

Os canais São Leopoldo e da Marinha ladeiam o terreno onde será erguido o Ecocity Jiquiá e constituem uma das preocupações dos empreendedores. Eles já estão investindo em drenagem dos próprios canais e estão prontos para desenvolver um projeto para a requalificação do riacho Jiquiá e, consequentemente, o desassoreamento dos leitos, remanejamento das populações ribeirinhas, reflorestamento, etc… para que não haja mais dificuldade no escoamento das águas. Um dos benefícios para a população que vive às margens dos canais supracitados com a iminente construção do Ecocity Jiquiá é a resolução das enchentes periódicas. A empresa já tem feito a limpeza do lixo trazido pelas chuvas e também alguma dragagem dos canais. Com isso, a população já tem sentido alívio durante as últimas chuvas torrenciais, que não lhes causaram mais tantos transtornos.

O desassoreamento do Riacho Jiquiá e do Rio Tejipió serão executados após a assinatura de um Termo de Compromisso entre a empresa e a Prefeitura do Recife que inclui medidas compensatórias como o desenvolvimento de um programa de educação ambiental na Rede Municipal de Ensino e o desenvolvimento de um Projeto Executivo de Requalificação das calhas do Riacho Jiquiá num trecho de 4.800 metros.

Com o Projeto Executivo pronto e orçado em um milhão e quatrocentos e oitenta mil reais, a Prefeitura de Recife poderá apresentá-lo ao Ministério das Cidades para adquirir os recursos para execução das obras. No total, a prefeitura poderá receber estimativamente até trinta e cinco milhões de reais para bancar todas as obras de dragagens, limpeza e alargamento da calha do rio, desocupação das famílias que estão assentadas no leito dos canais e rio, além de obras de artes, embelezamento, reflorestamento das margens do Rio Tijipió até a Bacia do Pina, resolvendo,com isso, 80% dos alagamentos de toda a zona oeste.

As obras terão início com a dragagem dos canais em 1 metro de profundidade. Para isto, haverá necessidade da retirada das primeiras 160 famílias do Caxito que construíram sobre os leitos e margens dos canais.

Em outra fase da obra, como a expansão dos canais da Rua 21 de abril, da Marinha e São Leopoldo será necessária, a remoção de mais 144 famílias das comunidades do Caxito e Cabeça de Vaca. E para cumprir a norma da área livre entre o loteamento do Ecocity Jiquiá e as moradias, outras 82 famílias do entorno serão removidas posteriormente.

Estes moradores receberão inicialmente um aluguel social, que é o auxílio moradia no valor de 208 (duzentos e oito) reais previsto em lei, enquanto será resolvida a moradia definitiva pleiteada pela inscrição das pessoas no programa Minha Casa, Minha Vida. A remoção dos moradores será uma ação do serviço social da Prefeitura do Recife. Ainda como pré-requisito, previsto no termo de compromisso, a empresa deverá doar para a Prefeitura de Recife o terreno com cerca de 15 mil m², onde serão construídas as 386 unidades de moradia destas famílias pelo programa MCMV, havendo espaço para a construção de mais unidades de moradia neste terreno, contemplando outras famílias.

Este termo de compromisso vem sendo discutido com a Prefeitura há quase um ano. Pelo que sabemos, finalmente, a Prefeitura parece estar ultimando as aprovações, podendo, ainda em julho, termos tal termo assinado pelas partes. As comunidades do Caxito e Cabeça de Vaca acompanham o desenrolar dessa aprovação com esperança de que as obras e providencias iniciem já em setembro de 2015.

Além de moradias dignas a curto e médio prazo lhes interessa sobremaneira os empregos advindos de tais obras, principalmente em tempos bicudos.

É a oportunidade da Prefeitura do Recife viabilizar e apresentar à população, num período de 7 a 8 anos, 7.000 empregos para a zona oeste; 600 unidade de MCMV em dois anos e meio; um novo e moderno bairro no Jiquia e, principalmente, viabilizar a urbanização pós obras de drenagem de toda a zona oeste.

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