5 anos de atuação e os novos desafios

Através dos profissionais que fazem o Jornal Infornativo, chegamos na fase de consolidação do projeto, com base nos depoimentos dos comerciantes locais e na receptividade dos leitores, que por sua vez também contribuem ao nos contar suas histórias e dividir as experiências do seu cotidiano com intuito de melhorar o território que escolheram para morar e ou trabalhar, acreditamos ter alcançado um nível satisfatório de credibilidade.

Foi a partir do dia  08 de março de 2012 que esta mídia passou a ser um veículo de comunicação.  Em sua fase de implementação trabalhamos com todos os esforços para conquistar a permissão de entrar nas casas e no comércio dos bairros de San Martin, Mustardinha, Bongi e Jardim São Paulo. No dia 08, distribuímos a primeira edição, após sete meses de pesquisas qualitativas, realizada no intuito de descobrir com os moradores e comerciantes locais quais eram as expectativas e os parâmetros do que cada um entendia como deveria atuar um jornal genuinamente comunitário, instrumento que até então a maioria alegou não existir naqueles bairros da Região Oeste do Recife.

E foi a partir das pesquisas que percutiram os primeiros desafios: Como manter uma linha editorial genuinamente comunitária? Que tipo de relações comerciais precisaremos recusar para nos manter coerentes com a administração de um canal de comunicação a serviço das comunidades e ao mesmo tempo estar alinhados aos interesses econômicos dos que desejam divulgar seus produtos e serviços?

É preocupante observar que algumas mídias locais e por sua vez, grandes grupos de comunicação disfarçados de startup’s do segmento digital, caminhem na linha traçada por seus investidores, comercializem conteúdo jornalístico e transformem um espaço que deveria ser destinado a diversidade de opiniões em um lugar comum de notas com apelo comercial, na maioria das vezes. Assim atuam, deslegitimando o segmento, produzindo um conteúdo pobre que não contribui com intelecto do leitor, não os consultando sobre o que pensam a respeito dos temas veiculados. E talvez seja esse o objetivo: manter a hegemonia e consolidar o perfil frio das classes econômicas dominantes que precisam manter o povo calado e pobre em todos os aspectos, para utilizá-los como massa de manobras.

Os colunistas do Jornal Infornativo repudiam a tendência das mídias que estabelecem uma distância entre o comunicador, o fato e as pessoas que desejam expor suas virtudes e dificuldades. Sem visitar o lugar ou o locutor da noticia a ser veiculada, para ouvir sua fala construida individualmente ou que represente um coletivo, estamos negando o espaço a verdade. Não sobram dúvidas do quanto é prejudicial para um canal de comunicação que se diz comunitário, aceitar o investimento de grandes corporações ou quando se aliam a instituições governamentais, que injetam recursos para influenciar e manobrar a produção jornalística. Os gestores destas mídias normalmente justificam que suas ações estão adequadas ao perfil do mercado da mídia eletrônica internacional para mascarar o descompromisso com função social que se espera de um meio de comunicação desta natureza.

Em nossa atuação na Região Oeste do Recife respeitamos as pessoas, seja nas visitas comerciais aos empresários para captação de recursos com a venda dos anúncios publicitários, no formato e características que lhes são adequados, seja nas entrevistas presenciais, maneira que encontramos de incentivar os debates e que dão voz ao morador, trabalhador ou visitante que circula na região, e nos inspiram para o registro de fotográfico nos acontecimentos do cotidiano que servem para ilustrar o conteúdo das matérias do nosso canal.

Assim, entramos em campo e há 20 edições são distribuídos 10.000 exemplares mensais. Sempre que 7 promotores entram em cena para distribuí-lo e tornar o material gráfico acessível para um público de no mínimo 30.000 leitores em 9 bairros. Esperamos que esta entrega faça o leitor refletir sobre a importância de valorizar mídias como a nossa, que atua aliada aos moradores e trabalhadores nos bairros, fornecendo um conteúdo jornalistico que predomina a opinião deles a respeito das particularidades de cada notícia, sem que o espaço seja usado para promoção pessoal dos colunistas ou de políticos com interesse em benefícios como a captação de recursos ou de votos.

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